Por Arnaldo Silva da Rosa
.
Na estrada em que o sol beijava o chão,
Romeu viu Julieta e, de repente,
O mundo inteiro coube em seu presente,
E um riso fez morada no coração.
.
Depois vieram os filhos, o pão,
As cartas, os invernos, lentamente;
E o amor, que era jovem, fez-se gente,
Guardando o mesmo fogo na paixão.
.
Cinquenta anos… E, naquela noite,
Ele apertou sua mão, suavemente:
— Julieta, já vivemos tanto açoite…
.
Que o tempo não desfaz o que se amou.
Horas depois, o sol surgia no nascente.
O amor, feito luz, os dois levou.
*Autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro efetivo da Academia de Letras de Belém-PA, titular da cadeira 20.







