O empresário e ex-governador Carlos Santos, CEO do Grupo Marajoara de Comunicação, prestou uma homenagem marcada por respeito, admiração e lembranças marcantes ao jornalista Carlos Augusto Serra Mendes, 76 anos, falecido no último domingo, 31, em Belém, vítima de câncer. Em um relato emocionado, Santos revisitou momentos importantes de sua convivência profissional com aquele que considera um dos nomes mais influentes do jornalismo paraense.
Segundo ele, a relação com Carlos Mendes foi construída ao longo de décadas, tendo como base entrevistas que atravessaram diferentes fases da imprensa no Pará. A primeira delas remonta aos anos 1980, quando Mendes avançava na carreira, no jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ.
“Logo na primeira entrevista, ele me chamou atenção pela perspicácia. Eram perguntas inteligentes, com uma visão de futuro impressionante. Ali percebi que estava diante de um jornalista diferenciado”, relembra Santos.
A partir desse encontro inicial, consolidou-se uma relação de respeito mútuo, que se repetiu em diversas ocasiões ao longo dos anos. Na década de 1990, já mais experiente, Carlos Mendes voltou a entrevistar o então governador para o jornal “Diário do Pará”, aprofundando temas políticos e administrativos com a mesma firmeza e preparo que o caracterizavam.
Nos anos 2000, foi a vez de “O Liberal” registrar mais um capítulo dessa trajetória. Para Carlos Santos, essas entrevistas demonstravam a evolução de Mendes como profissional, sem que ele perdesse a essência crítica e o compromisso com a informação de qualidade.
“O Carlos Mendes amadureceu, ganhou ainda mais densidade, mas nunca deixou de lado a coragem de perguntar o que precisava ser perguntado. Ele tinha um compromisso muito claro com o público”, destacou.

O último encontro entre os dois ocorreu recentemente, em 15 de maio de 2025, no programa “Linha de Tiro”. Para Santos, essa entrevista teve um significado especial, por representar um reencontro após tantos anos de convivência profissional.
“Foi uma conversa franca, como sempre. Ele mantinha a mesma energia, a mesma lucidez. Era um jornalista completo, respeitado e preparado”, afirmou.
Carlos Santos ressalta que, mais do que um entrevistador, Carlos Mendes foi um interlocutor qualificado, capaz de extrair reflexões relevantes e provocar debates necessários à sociedade paraense.
A morte do jornalista representa, segundo ele, uma perda irreparável para a comunicação no Estado.
“Fica o legado de um profissional ético, combativo e comprometido com a verdade. E, para mim, ficam também as lembranças de grandes conversas e de um respeito que atravessou décadas.”
A trajetória compartilhada entre entrevistador e entrevistado revela não apenas momentos da história política e social do Pará, mas também o papel essencial do jornalismo na construção da memória pública — uma missão que Carlos Mendes exerceu com excelência até seus últimos dias.
HOMENAGEM
O corpo do Jornalista Carlos Mendes foi cremado na manhã desta segunda-feira, 1º. A filha de Mendes, a também jornalista Luciana Mendes, disse que o velório foi na capela Max Domini e que seu pai recebeu a visita de dezenas de profissionais de imprensa que o conheciam e relembraram de sua longa carreira de mais de 50 anos de atuação na defesa dos interesses da Amazônia, inclusive com passagens pelas principais redações de jornais da capital paraense.
Do cortejo fúnebre até o crematório da Max Domini participaram familiares, amigos jornalistas e alguns políticos do Estado como o ex-prefeito Edmilson Rodrigues e o ex-deputado federal e radialista Wladimir Costa.
A intenção da família, disse Luciana, é jogar as cinzas do jornalista no gramado do Estádio Leônidas Sodré de Castro, a Curuzu, já que era desejo de Mendes que isso seja realizado, ele que era torcedor do Paysandu e sua vontade será feita, caso a diretoria bicolor esteja de acordo com o ato singelo.
Por ROBERTO BARBOSA, Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução

Carlos Santos recebido no Palácio Antônio Lemos pela Jornalista Luciana Mendes, filha de Carlos Mendes










