Aparelhos menores que um isqueiro são usados por criminosos em presídios pelo Brasil
Os órgãos de segurança pública e a Anatel estão com um novo desafio no Brasil: a popularização dos microcelulares. Os dispositivos, menores que um isqueiro e com até sete centímetros, fazem chamadas e enviam mensagens de texto de uma maneira bem discreta.
A venda dos micro aparelhos é proibida no país, nem homologada pela Anatel, agência que reguladora de telefonia. Apesar disso, eles são encontrados com facilidade em centros comerciais e em plataformas de venda na internet.
Em investigação com câmera escondida, a equipe do Jornal da Band flagrou a comercialização desses dispositivos em um centro comercial em São Paulo. Conhecidos popularmente como “batonzinhos”, os aparelhos são vendidos por valores próximos a R$ 165.
No flagrante, vendedores garantiram a funcionalidade do sinal e a compatibilidade com chips de operadoras convencionais, chegando a aceitar encomendas para modelos específicos. Estima-se que existam mais de cinco milhões de aparelhos deste tipo em funcionamento no território nacional.
Como funcionam os microcelulares?
A principal preocupação das autoridades reside no uso desses dispositivos dentro do sistema prisional. Por serem extremamente pequenos, os microcelulares são as ferramentas preferidas de criminosos para coordenar atividades ilícitas e transmitir ordens de dentro das celas. Eles fazem ligações e mandam mensagens de textos, o que é proibido dentro do sistema prisional.
A entrada desses objetos nas unidades prisionais tornou-se ainda mais difícil de combater após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado, que proibiu a realização de revistas íntimas em presídios, permitindo a prática apenas em situações excepcionais.
Segundo Paulo Abel Batista Gonçalves, porta-voz da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), a fiscalização ideal dependeria do uso universal de scanners corporais, equipamento que, no entanto, ainda não está presente em todas as unidades prisionais do país.
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