Fúria enfrenta a Argentina neste domingo (19), em busca do bicampeonato da Copa do Mundo
Jon Cruz e Laura Toyama, da CNN Brasil
A Espanha enfrenta a Argentina neste domingo (19), às 16h (de Brasília), na grande final da Copa do Mundo 2026.
Contando com uma geração talentosa, tendo o jovem Lamine Yamal como principal referência técnica, a Fúria vai em busca do bicampeonato.
Mesmo com vários representantes entre os convocados, existem torcedores do Barcelona que “boicotaram” as partidas da seleção no Mundial e torcerão pela derrota do time espanhol na decisão do torneio.
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A página “Barça i Ciutadania”, administrada por torcedores do Barcelona, afirmou que não vai apoiar a seleção espanhola na Copa do Mundo, mesmo com grande parte da equipe sendo formada por atletas do clube.
O motivo do “boicote” está ligado ao movimento pró-independência da Catalunha em relação à Espanha.
“A cada quatro anos, o mesmo dilema paira sobre o imaginário coletivo da massa social culé-independentista. É coerente querer que a Espanha ganhe a Copa do Mundo? É possível fazer vista grossa e apoiar a seleção espanhola sob o pretexto de que há muitos jogadores do Barça? É congruente desejar a vitória da seleção do Estado que oprime sistematicamente a nação catalã? Futebol e política podem ser dissociados?”, questiona a página.
Por que a Espanha tem que perder o Mundial?
Em postagem nas redes sociais, os torcedores do Barcelona destacam a importância do futebol, além das quatro linhas.
“O futebol não é apenas um esporte. E nunca foi. Estamos falando de um fenômeno com imenso valor político”, declarou a página, ao justificar o posicionamento contra um possível título da seleção espanhola na Copa do Mundo.
Para o grupo, o entendimento do futebol como ferramenta política de pertencimento, sobretudo para os jovens, é explorado pelo governo espanhol como forma de apagar outras identidades presentes em seu território e, por isso, a Espanha não deve ser bicampeã do mundo.
Diante da atual fase vitoriosa da equipe, como o título da Eurocopa em 2024, o posicionamento reflete sobre o futebol como elemento de coesão de massas que não se baseia em identificação, mas em fazer parte de uma “conquista”.
Os torcedores do Barcelona que são pró-independência da Catalunha chamam o fato de “nacionalismo banal”. Sentimentos como entusiasmo, esperança e vitória são associados inconscientemente a “ser espanhol”, mas não têm raízes culturais verdadeiras. “Quem não gosta de cavalgar no cavalo vencedor?”, questionam.
A página “Barça i Ciutadania” defende ainda que a delegação espanhola pare de “sequestrar” jogadores com potencial para conduzir os jovens à identificação com a Catalunha.
Figuras da nova geração, como Yamal, nascido em Esplugues de Llobregat, na Catalunha, podem comunicar, transmitir e destacar a importância da identidade catalã e da defesa da língua para jovens que o têm como ídolo.
“Uma nação sem pontos de referência para os seus membros mais jovens é uma nação vazia, condenada ao nada. Que modelos as crianças catalãs têm que associam implicitamente à nossa nação?”, questionam os culéns pró-independência.
Més que un club: atletas do Barça como símbolo de afirmação
Na ausência de seleções catalãs em competições oficiais, o Barcelona é tido pelo grupo como símbolo histórico do catalanismo, capaz de mobilizar as juventudes e internalizar o sentimento de pertencimento. O clube torna-se um elemento coletivo, cuja torcida e os jogadores desempenham importante papel na luta pela independência.
Jogadores históricos já declararam apoio público ao direito do povo catalão de votar e decidir politicamente o seu futuro.
Apesar de holandês, o atacante Johan Cruyff foi uma das principais figuras do movimento, sobretudo pelo contexto de repressão em que declarava seu apoio: a ditadura do general Francisco Franco na Espanha, que durou 36 anos.
Como jogador e, posteriormente, treinador do clube, Cruyff tornou-se um ícone cultural durante o final do franquismo. Um de seus atos mais conhecidos foi batizar o filho com o nome catalão “Jordi”, um gesto de desafio simbólico à repressão cultural imposta pelo regime, uma vez que os registros civis da época exigiam que os nomes fossem apenas em castelhano.
O caso de Oleguer Presas, que atuou como zagueiro e lateral-direito, é um dos mais conhecidos de jogador do Barcelona que se recusou a representar a seleção espanhola por motivos políticos e identitários.

Em protesto à convocação em 2005 pelo então técnico espanhol Luis Aragonés, os culés exibiram uma faixa no Camp Nou onde se lia “Oleguer, no hi vagis” (“Oleguer, não vá”), para que o jogador recusasse e permanecesse no clube.
Após o episódio e a recusa explícita, ele declarou que não se sentia representado pela equipe espanhola e que recusaria futuras convocações.

Pep Guardiola, que esteve por 12 temporadas no time principal do Barcelona, também teve atuação política pró-independência notória. Em 2015, o então treinador do Bayern de Munique chegou a incluir o próprio nome, de forma simbólica, em uma lista de candidatos da coalizão independentista Junts pel Sí (“Juntos pelo Sim”) para as eleições regionais catalãs.
Em 2017, o zagueiro Gerard Piqué também demonstrou apoio ao referendo sobre a independência da Catalunha, que foi proibido pelas autoridades espanholas na época.
Na ocasião, Piqué registrou e publicou imagens do momento em que votou no referendo, horas antes de entrar em campo vestindo a camisa blaugrana pela LaLiga.
Mesmo com quatro atletas da Seleção Espanhola nascidos em Barcelona e representando as raízes da região, a página de torcedores irá boicotar a Furia na Copa do Mundo de 2026, reforçando a torcida de Cabo Verde na estreia desta segunda-feira (15).
“Seleção do Barcelona”
A influência do Barcelona dentro da seleção espanhola se reflete na convocação final da equipe para a Copa do Mundo de 2026.
Dos 26 nomes chamados pelo técnico Luis de La Fuente, oito atuam no time catalão: Joan García, Cubarsí, Eric Garcia, Pedri, Gavi, Dani Olmo, Ferran Torres e Lamine Yamal.
Vale lembrar, que pela primeira vez na história da Furia, a convocação da Espanha não contou com jogadores do Real Madrid em seu elenco.
Os Merengues até oficializaram a contratação do lateral-esquerdo Cucurella em 15 de junho, mas o atleta foi selecionado por Luis de La Fuente pelas atuações no Chelsea, da Inglaterra.
Lista de convocados da Espanha
- Goleiros: Unai Simón (Athletic Bilbao), David Raya (Arsenal) e Joan García (Barcelona)
- Defensores: Cucurella (Chelsea/Real Madrid), Grimaldo (Bayer Leverkusen), Cubarsí (Barcelona), Laporte (Athletic Bilbao), Pubill (Atlético de Madrid), Eric García (Barcelona), Marcos Llorente (Atlético de Madrid) e Pedro Porro (Tottenham);
- Meias: Pedri (Barcelona), Fabián Ruiz (PSG), Martín Zubimendi (Arsenal), Gavi (Barcelona), Rodri (Manchester City), Álex Baena (Atlético de Madrid) e Mikel Merino (Arsenal).
- Atacantes: Mikel Oyarzabal (Real Sociedad), Dani Olmo (Barcelona), Nico Williams (Athletic Club), Yeremy Pino (Crystal Palace), Ferran Torres (Barcelona), Borja Iglesias (Celta de Vigo), Víctor Muñoz (Osasuna) e Lamine Yamal (Barcelona).
Final da Copa do Mundo
Em busca do segundo título da Copa, a Espanha enfrenta a Argentina neste domingo (19), às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Para chegar à final da competição, a Fúria derrotou a França na semifinal por 2 a 0, em grande atuação coletiva.
Oyarzabal e Pedro Porro fizeram os gols da classificação espanhola.
Foto: Divulgação/ @SEFutbol






