Com enredo sobre a navegação e os povos das águas, o “Quenzão” celebra 80 anos, exalta a Amazônia e entra na avenida do Carnabelém 2026 em busca do bicampeonato.
A Associação Carnavalesca Recreativa e Cultural Império de Samba Quem São Eles levou para a avenida do CarnaBelém 2026, na madrugada deste domingo (01), um desfile grandioso, carregado de simbologia, emoção e identidade amazônica. Com o enredo “Pelos Caminhos das Águas – Uma Odisseia Escrita Pelos Transportadores que Cruzam Rios e Mares”, a escola do bairro do Umarizal transformou o asfalto em um grande rio narrativo, onde passado, presente e futuro da navegação se encontram para contar a história de povos que aprenderam a ler o vento, a correnteza e o céu para construir civilizações e conectar territórios.
Desde os primeiros passos da humanidade sobre as águas, o desfile percorreu a epopeia dos grandes navegadores do mundo antigo, como fenícios e turcos, destacando a coragem dos desbravadores que abriram portos, fundaram cidades e deram origem a novas rotas comerciais e culturais. Essa jornada histórica desembocou no Brasil com a figura lendária de Sebastião Caboto, referência na navegação de cabotagem, fundamental para a integração entre cidades e regiões do país.
A narrativa avançou pelas águas da Amazônia viva, exaltando o rio como caminho, sustento e identidade cultural, passando pela fundação de Belém e chegando aos dias atuais, quando a navegação incorpora tecnologia, conhecimento técnico e responsabilidade ambiental. Em destaque, o trabalho dos transportadores, navegantes e da praticagem, apresentados como verdadeiros guardiões da segurança da navegação, do meio ambiente e da vida que circula diariamente pelos portos e canais brasileiros.
O presidente da escola, Luiz Omar Pinheiro, destacou a dimensão humana e cultural do espetáculo.
“É um Carnaval muito grande, majestoso. Um desfile lindo, feito com muito carinho, pensando no bicampeonato. Tudo isso foi preparado em apenas 40 dias. É um grande exemplo de cultura popular, feito por pessoas humildes, que merecem esse espetáculo”, afirmou o presidente da Quem São Eles.
Visualmente impactante, o desfile combinou fantasias detalhadas, alegorias imponentes e uma bateria pulsante que traduziu, em ritmo e movimento, a força das águas amazônicas. A apresentação também teve um peso simbólico especial: além de defender o título conquistado no último Carnaval, o Quem São Eles celebrou 80 anos de história, reafirmando sua tradição em enredos regionais e sua importância no cenário cultural de Belém e do Pará.


A emoção também tomou conta da bateria. A rainha, que há 11 anos desfila pelo Quenzão, Thaynah Elmescany ressaltou o caráter comemorativo do desfile e a identificação da escola com o tema. “Viemos de um campeonato e estamos celebrando 80 anos. O enredo é a nossa cara, conta a história dos práticos e navegantes e se mistura com a nossa própria história”, disse.
Já o mestre de bateria Pedro Paulo reforçou o peso simbólico da trajetória da agremiação. “São 80 anos de cultura, de enredos clássicos, sambas antológicos e muita glória. É agradecer aos antepassados e fortalecer ainda mais esse nome grandioso do Carnaval paraense”, declarou.
Com um desfile que uniu memória, identidade, fé, resistência e recomeço, o Quem São Eles mostrou que as águas não apenas cortam a Amazônia: elas escrevem histórias, constroem culturas e seguem guiando a escola em mais um capítulo marcante do Carnaval de Belém.
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- Texto: Leonardo Araújo
Crédito: Márcio Nagano









