A crise no transporte público de Belém ganhou um novo capítulo nesta semana. Diante da sétima paralisação dos rodoviários da Viação Montecristo em 2026, a Secretaria de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade – SEGBEL confirmou a abertura de um processo para cassar as linhas operadas pela empresa na capital paraense. A decisão foi anunciada ontem, quinta-feira, 23, após mais uma sequência de interrupções no serviço, que seguem sem solução até o momento. Com isso, algumas linhas já começaram a ser redistribuídas entre outras empresas do sistema, como Santa Rosa, Nova Marambaia e Arsenal, que passam a assumir gradativamente os itinerários antes operados pela Montecristo, como CDP Ver-o-Peso e Pedreira Lomas.
Entre as linhas já afetadas estão trajetos importantes, como os que atendem as regiões do CDP Ver-o-Peso e Pedreira Lomas, agora sob nova gestão.
A paralisação, que se intensificou ao longo da semana, atingiu seu ponto mais crítico na quarta-feira, 22, quando rodoviários realizaram protestos e bloquearam a avenida Almirante Barroso, um dos principais corredores de tráfego da cidade, provocando longos congestionamentos e transtornos à população.
Sem acordo entre empresa e trabalhadores, o impasse continua. A categoria reivindica o pagamento de salários atrasados — que já somariam mais de três meses — além de benefícios como vale-alimentação e outros direitos trabalhistas pendentes. Até agora, não há previsão oficial para a normalização dos serviços.
A situação tem impactado diretamente milhares de usuários do transporte público. Entre os principais problemas enfrentados estão longas esperas nas paradas, superlotação nos ônibus de outras empresas e dificuldades para cumprir compromissos diários.
O histórico recente da Montecristo reforça a gravidade do cenário. Ao longo deste ano, a empresa já esteve no centro de diversas paralisações motivadas por atrasos salariais e descumprimento de obrigações trabalhistas, com soluções apenas temporárias após intervenções pontuais.
Com o processo de cassação em andamento, cresce também a incerteza quanto ao futuro dos trabalhadores da empresa, que podem ficar sem emprego caso a medida seja efetivada.
Enquanto novas negociações são aguardadas, o transporte público em Belém segue operando de forma instável, e a população continua enfrentando dificuldades para se deslocar pela cidade.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução






