sexta-feira, julho 17, 2026
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Tráfico humano avança no Pará e preocupa autoridades de segurança pública e a sociedade

O avanço do tráfico de pessoas no Brasil voltou a colocar o Pará no centro das preocupações das autoridades. Com extensas fronteiras fluviais, intensa circulação de pessoas e ligação estratégica com outros estados e países amazônicos, o território paraense figura entre as áreas de maior vulnerabilidade para esse tipo de crime, que movimenta redes criminosas voltadas à exploração sexual, ao trabalho escravo e ao aliciamento de crianças e adolescentes.

Dados do Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas 2025, apresentados em Brasília, mostram que o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 70 pessoas por tráfico internacional de pessoas em 2024. O levantamento também registrou aumento de 33% no número de vítimas brasileiras identificadas no período. O Camboja concentrou 52% dos casos envolvendo brasileiros levados ao exterior, seguido por Israel, Itália, Bélgica e Albânia.

Segundo o relatório, o trabalho escravo respondeu por 58% dos crimes de tráfico internacional. No cenário interno, porém, houve uma mudança inédita: em 2025, a exploração sexual passou a representar 43% dos casos registrados no país, superando pela primeira vez o trabalho escravo.

O problema ganha contornos particulares na nossa casa, o Pará. O estado concentra registros de trabalho escravo contemporâneo, exploração sexual em áreas de garimpo, grandes obras e corredores logísticos, além de rotas utilizadas por organizações criminosas na Amazônia. Municípios cortados por rodovias federais, hidrovias e regiões de fronteira são considerados estratégicos para o deslocamento de vítimas.

Embora os casos oficialmente identificados representem apenas parte da realidade, a subnotificação continua sendo um dos maiores desafios no enfrentamento ao tráfico de pessoas. Muitas vítimas são atraídas por falsas promessas de emprego, estudo ou relacionamentos iniciados pelas redes sociais, dificultando a identificação do crime.

Para ampliar a prevenção, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em parceria com o MPF, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad) e outras 13 instituições, lançou a campanha “Liberdade no Ar”. As peças alertam para abordagens aparentemente inofensivas na internet que podem esconder tentativas de aliciamento, especialmente de crianças e adolescentes.

O relatório reforça que o enfrentamento ao tráfico de pessoas depende da integração entre órgãos de segurança, Justiça e assistência social, mas também da informação. Em um estado com as dimensões do Pará e múltiplas rotas de circulação, identificar sinais de aliciamento e denunciar suspeitas permanece como uma das principais formas de impedir que novas vítimas desapareçam nas redes do crime.

Por Paulo Silber/Cidade 091/Imagem: Agência Pará de Notícias

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