segunda-feira, janeiro 19, 2026
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Vídeo: Junta quebrada nos trilhos pode ser a causa de tragédia ferroviária na Espanha

Fontes próximas às investigações revelam defeito na via em trecho onde trens de alta velocidade colidiram.

Especialistas que apuram as causas do descarrilamento de um trem de alta velocidade ocorrido neste domingo (18), na Espanha, identificaram uma junta quebrada nos trilhos. Segundo uma fonte próxima às investigações preliminares, a falha estrutural surge como o principal indício para explicar a tragédia que vitimou ao menos 39 pessoas.

O acidente tomou proporções catastróficas quando os vagões descarrilados atingiram uma composição que trafegava no sentido oposto. O impacto lançou o segundo trem para fora da via, em um barranco, consolidando-se como um dos desastres ferroviários mais letais da história moderna da Europa.

A colisão aconteceu nas proximidades de Adamuz, na província de Córdoba, região sul da Espanha. O local do descarrilamento fica situado a aproximadamente 360 quilômetros de distância da capital, Madri.

Durante a análise técnica no local, peritos observaram um desgaste acentuado na conexão entre as seções dos trilhos, componente conhecido tecnicamente como talão de junção. A fonte informou que o estado da peça indica que a falha não era recente e já vinha se agravando há algum tempo.

A investigação aponta que o defeito na junta gerou um espaçamento indevido entre os trilhos. Essa folga teria se expandido progressivamente devido à pressão e ao movimento contínuo de trens que passavam pelo trecho antes do desastre.

Mantendo o anonimato pela sensibilidade do tema, a fonte afirmou que a perícia considera a junta defeituosa como o elemento-chave para a conclusão do inquérito. Acredita-se que este ponto específico da via tenha sido o gatilho para a perda de estabilidade da composição.

A Comissão Espanhola de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), órgão responsável por conduzir o inquérito oficial, foi procurada para comentar as descobertas. No entanto, até o momento, a entidade não emitiu nenhum posicionamento sobre as informações reveladas.

Da mesma forma, a Adif, gestora da infraestrutura ferroviária espanhola, e o Ministério dos Transportes não responderam aos questionamentos. Ambos os órgãos supervisionam as operações e a segurança da malha de alta velocidade no país.

Álvaro Fernández Heredia, presidente da Renfe — operadora do segundo trem envolvido — concedeu entrevista à rádio Cadena Ser. Na ocasião, ele ponderou que ainda é prematuro apontar culpados ou causas definitivas para o ocorrido.

Apesar da cautela, Heredia destacou que as circunstâncias do acidente são consideradas “estranhas” pela operadora. Ele acrescentou ainda que, diante das evidências atuais, a hipótese de erro humano está praticamente fora de cogitação.

No detalhamento da dinâmica do acidente, a fonte explicou que os primeiros vagões da empresa Iryo conseguiram atravessar o vão no trilho com sucesso. Contudo, o oitavo e último vagão não resistiu à irregularidade e descarrilou, arrastando os dois carros imediatamente anteriores.

A Iryo, empresa que operava o primeiro trem, é uma companhia privada com participação majoritária do grupo estatal italiano Ferrovie dello Stato. A segurança de suas operações agora está sob intenso escrutínio das autoridades espanholas.

Como prova técnica, a fonte citou uma fotografia que evidencia o vão vertical no trilho, imagem que coincide com registros divulgados pela Guarda Civil. O registro visual corrobora a tese de que a via apresentava uma descontinuidade perigosa.

A área do desastre foi isolada e marcada com números de ocorrência policial para facilitar o trabalho da perícia. Cada centímetro do trecho danificado está sendo documentado para compor o relatório final sobre a falha na infraestrutura.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez e o ministro dos Transportes, Óscar Puente, visitaram o local na manhã desta segunda-feira em sinal de luto e urgência. Sánchez chegou a cancelar sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, para acompanhar os desdobramentos.

Puente ressaltou que o trem da Iryo era novo, com menos de quatro anos de uso, e que a linha havia passado por reforma total em maio passado. Além disso, a fabricante Hitachi Rail afirmou que uma inspeção de rotina realizada em 15 de janeiro, no modelo Frecciarossa 1000, não havia detectado qualquer anomalia.

Guarda Civil da Espanha/Divulgação

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