Tiago Leifert questionou vídeos usados como prova jurídica; Gabriel Velloso defendeu seu trabalho e pediu respeito à categoria.
A leitura labial no futebol voltou a ser centro de polêmica após o influenciador Gabriel Velloso rebater críticas feitas por Tiago Leifert em seu canal no YouTube. O desentendimento começou quando o apresentador questionou o uso dos conteúdos produzidos por “dubladores de internet” como provas formais em julgamentos esportivos.
O ponto de partida do debate envolveu uma análise de Velloso sobre um momento em que Neymar teria feito duras reclamações à árbitra Edina Alves. Segundo a interpretação divulgada no vídeo, o atacante teria dito “Você é horrorosa, tu é muito ruim”, além de disparar palavrões — acusações que o jogador negou. Ao abordar o tema, Leifert ponderou que esse tipo de interpretação é divertido, mas não deve ter caráter conclusivo.
“Qual a minha opinião sobre dubladores de internet? Legal, acho divertido, mas não pode virar uma parada forense. Parece que pegaram uma dublagem, acho que foi até do Neymar com a Edina, e querem já usar no STJD como prova. Pô, não pode, gente. Aí não”, afirmou Tiago Leifert.
O apresentador também pontuou que existem vídeos circulando em que as falas são atribuídas aos atletas mesmo sem enquadramento frontal da câmera.
Em resposta publicada no Instagram, Gabriel Velloso acusou o jornalista de tentar descredibilizar a sua profissão e negou realizar leituras sem o devido rigor técnico.
“Se estiver falando de mim, queria que você apontasse um vídeo meu que fiz dublagem de jogador de costas. Fiz minha carreira sem me envolver em polêmica, sem picuinha com qualquer famoso”, rebateu o profissional.
Velloso ressaltou que seu trabalho vai muito além de repetição de palavras, envolvendo estudo anatômico e contextualização das cenas.
“Eu não analiso só os movimentos dos lábios, há uma análise do corpo, do ritmo da fala, do sotaque, do contexto da cena. Concordo que o STJD não deveria usar meus vídeos como prova, mas não queira reduzir o meu trabalho”, completou.
Apesar da discordância sobre a forma como o trabalho foi rotulado, ambos convergiram em um ponto: os vídeos de leitura labial da internet não possuem validade jurídica nem devem ser adotados como prova única pela justiça desportiva.






