quinta-feira, junho 18, 2026
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Muito além da política pública: Projeto “Bora conversar?” acolhe mães atípicas e debate neurodivergência em Belém

Realizado na Usina da Paz da Cabanagem, evento promovido pela Sespa cria rede de apoio e escuta demandas de famílias de pessoas com TEA.

A Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) realizou, na última quarta-feira (17), a primeira edição do projeto “Bora conversar?”. O evento, realizado na Usina da Paz da Cabanagem, em Belém, foi criado com o objetivo de dar voz a pessoas neurodivergentes e famílias atípicas, permitindo que manifestem suas demandas, conheçam o planejamento estratégico do Estado e sugiram políticas públicas direcionadas às suas reais necessidades.

A programação foi conduzida pela Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA) e reuniu dezenas de mães, pais, responsáveis, pessoas neurodivergentes e representantes da sociedade civil organizada.

Construção coletiva de políticas públicas

De acordo com a coordenação da CEPA, o projeto nasce para consolidar a participação ativa da comunidade nas decisões e projetos que o Governo do Pará pretende desenvolver no setor.

“Criamos o ‘Bora conversar?’ para ser um momento de troca, em que o Estado escute a comunidade para melhor atendê-la. Trabalhamos desenvolvendo políticas públicas para atender a população TEA (Transtorno do Espectro Autista), e entendemos que as pessoas para quem trabalhamos devem ser parte ativa deste processo, manifestando seus interesses e anseios ao mesmo tempo em que apresentamos nossas metas e projetos que serão desenvolvidos pelo Estado em um futuro próximo”, explicou Flávia Marçal, coordenadora da CEPA.

Acolhimento contra a exclusão social

Para as famílias, o encontro representou muito mais do que uma reunião de planejamento; foi um espaço de acolhimento e rede de apoio. Leidiane Silva, mãe de uma menina de dois anos e nove meses que recebeu o diagnóstico de TEA em abril deste ano, destacou o impacto do evento em sua nova jornada.

“Foi como abrir uma nova visão relacionada ao autismo em relação ao acesso a direitos e o que eu posso contribuir não só para a minha filha, mas também para outras mães”, relatou Leidiane.

Ela desabafou sobre a solidão que muitas famílias atípicas enfrentam após o laudo de condições como TEA, TDAH ou TOD: “Hoje a gente vê uma sociedade que não tem tanta inclusão. Quando nós, mães, recebemos o laudo, nós também somos excluídas dessa sociedade, do nosso meio familiar, dos nossos amigos. Ter encontros como esses nos leva a um momento em que a gente passa a ver outras dores e a ter uma roda de conversa onde a gente pode ter uma luz, um conforto, um abraço, muitas das vezes de pessoas que a gente nunca conheceu na vida, mas que nos entendem”.

Sucesso e continuidade do projeto

Diante do forte engajamento da comunidade na Usina da Paz, a coordenação da CEPA avaliou esta primeira edição como um sucesso absoluto. A meta do Estado agora é replicar o formato para estruturar um canal de diálogo contínuo.

“Pretendemos repetir a fórmula mais vezes para ter um canal de diálogo permanente com a comunidade, pois desta forma vamos conseguir aprimorar nossos processos e serviços, criando soluções para as questões enfrentadas pelas famílias atípicas em seu dia a dia”, concluiu Flávia Marçal.

Foto: Divulgação

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