Arnaldo Silva Rosa
.
Nos Andes nasce, límpido e profundo,
Um fio azul, segredo da montanha;
Desce, atravessa a selva e a acompanha,
Como uma veia palpitando o mundo.
.
Rompe fronteiras, num caminho fecundo,
E em cada margem a floresta banha;
Até que a foz, majestosa e estranha,
Se abra em silêncio ao grande mar profundo.
.
Mas não termina o curso soberano:
Sobe em vapor aos páramos distantes,
E volta à terra, em chuva, ano após ano.
.
Assim retorna às fontes cintilantes,
Como se a Terra, em seu mistério arcano,
Guardasse um coração de águas constantes.
.
*Autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro efetivo da Academia de Letras de Belém-PA, titular da cadeira 20.





