Análises genéticas e revisão de museus corrigem confusão taxonômica e revelam a rã Pristimantis milpe.
Pesquisadores internacionais descreveram a descoberta da Pristimantis milpe, conhecida popularmente como rã-da-chuva-de-Milpe. Curiosamente, o pequeno anfíbio não estava escondido em uma região inexplorada da natureza, mas passou décadas sendo erroneamente classificado como Pristimantis subsigillatus (a rã-ladra de Salidero).
A correção taxonômica foi liderada pelo biólogo evolucionista Santiago Ron, da Pontifícia Universidade Católica do Equador, e publicada na revista científica ZooKeys. A reavaliação começou quando os cientistas notaram divergências claras ao comparar o holótipo — o espécime de referência oficial — da rã com o da espécie P. subsigillatus. Análises de DNA e expedições de campo na Colômbia e no Equador confirmaram que se tratava de uma espécie inédita para a ciência.
| Característica | Detalhes da Espécie (Pristimantis milpe) |
| Tamanho Médio | Machos: 25,8 mm | Fêmeas: 33,9 mm |
| Distribuição | Florestas tropicais do Equador e sul da Colômbia |
| Habitat Comum | Plantações de banana e áreas urbanas |
| Comportamento | Vocalização característica com som de estalo |
Espécie “Invisível” para a Ciência
Por ter sido confundida por tanto tempo, grande parte dos hábitos da rã-da-chuva-de-Milpe já é familiar aos biólogos. Trata-se de um animal comum, frequentemente encontrado em ambientes modificados pela ação humana.
“O fato de uma espécie tão comum ter passado despercebida por décadas, sob um nome incorreto, destaca a importância de associar corretamente os nomes científicos às populações vivas na natureza”, pontuou Jhael Ortega, um dos autores do estudo.
Os pesquisadores ressaltam que omissões históricas no gênero Pristimantis reforçam a necessidade contínua de revisar classificações antigas, demonstrando que mesmo espécies abundantes podem permanecer efetivamente “invisíveis” para a taxonomia até que estudos genéticos e morfométricos detalhados sejam realizados.
Divulgação/Santiago R. Ron





