A idade é um dos principais fatores de risco para o câncer de próstata. No Brasil, nove em cada dez homens diagnosticados com a doença têm mais de 55 anos, segundo o Ministério da Saúde. O tema voltou aos holofotes após o falecimento do cantor Benito Di Paula, no último domingo (18), após cerca de um ano de luta contra a enfermidade.
Além do envelhecimento, o urologista Alexandre Iscaife, do Hospital das Clínicas e doutor pela Faculdade de Medicina da USP, destaca que histórico familiar (pai ou irmão afetados), mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, obesidade, sedentarismo e má alimentação aumentam significativamente o risco e a agressividade dos tumores.
Impacto na saúde pública
A doença é a neoplasia mais frequente entre os homens no país. A vergonha e a falta de informação ainda atrasam a busca por atendimento:
- Mortalidade: Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS) apontam que, em 2026, 11.257 homens faleceram em decorrência da doença uma média de 46 mortes por dia.
- Projeção: O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima mais de 77 mil novos casos anuais até 2028.
O que é a próstata e como o tumor se desenvolve
A próstata é uma glândula masculina situada abaixo da bexiga que produz o líquido seminal, responsável por nutrir e proteger os espermatozoides. Ela não intervém na ereção nem no orgasmo.
A confirmação diagnóstica e a agressividade do tumor são definidas por biópsia. Cerca de 90% dos casos são classificados como de baixo risco ou risco intermediário. Contudo, em casos não diagnosticados a tempo, o tumor pode evoluir e gerar metástases — atingindo inicialmente linfonodos e ossos, e em estágios mais avançados, órgãos como fígado, pulmões e cérebro.
Sintomas e diagnósticos diferenciados
Na fase inicial, a doença costuma ser silenciosa. Quando surgem, os sintomas incluem:
- Dificuldade ou jato urinário fraco;
- Demora para iniciar ou finalizar a micção;
- Aumento da frequência urinária (diurna e noturna);
- Presença de sangue na urina.
Esses sinais também podem estar associados a condições benignas, como a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) ou a Prostatite (infecção bacteriana), o que exige investigação clínica.
Investigação e Prevenção pelo SUS
O rastreamento inicial é composto pelo exame de toque retal e pela coleta de sangue (PSA). Alterações em ambos os testes direcionam o paciente para a biópsia de confirmação. Todo o itinerário diagnóstico e terapêutico está disponível gratuitamente no SUS.
A prevenção primária envolve hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, controle do peso e evitação do tabagismo e do consumo excessivo de álcool.
Foto: Benito di Paula (Instagram/Reprodução)






