Jovem foi encontrado vivo após sumir na última quinta (1º); entenda o que falta esclarecer sobre o trajeto e o sumiço.
Após 120 horas de incertezas, o jovem Roberto Farias Tomaz foi localizado na manhã desta segunda-feira (5). Ele havia desaparecido no dia 1º de janeiro, enquanto descia o Pico Paraná — o ponto mais alto do Sul do Brasil, com 1.877 metros de altitude. O rapaz conseguiu chegar por conta própria a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, onde pediu ajuda.
O Desaparecimento: O Primeiro Nascer do Sol de 2026
Roberto e uma amiga iniciaram a trilha no dia 31 de dezembro com o objetivo de ver o primeiro amanhecer do ano no cume da montanha. Após o descanso, os dois iniciaram a descida por volta das 6h30 da manhã de quinta-feira (1º), integrados a um grupo de montanhistas.
A separação ocorreu em um ponto anterior ao primeiro acampamento da base. Relatos indicam que Roberto já apresentava sinais de mal-estar antes de se perder do grupo. O alerta foi dado pelo analista jurídico Fabio Sieg Martins, que ao chegar ao acampamento base, percebeu que apenas a amiga de Roberto estava na barraca. “Bateu o desespero. Fiz a ligação para o Corpo de Bombeiros assim que consegui sinal de celular”, relatou Fabio.

A Operação de Resgate
As buscas mobilizaram uma força-tarefa de mais de 500 pessoas, incluindo:
- Equipes do GOST (Grupo de Operações de Socorro Tático);
- Voluntários e corredores de montanha do CPM (Clube Paranaense de Montanhismo);
- Montanhistas especializados do Cosmo.
O Corpo de Bombeiros explicou que a estratégia foi dificultada pelo fato de Roberto estar em movimento, o que obrigou as equipes a repetirem varreduras em áreas já vistoriadas.
Sobrevivência e Estado de Saúde
Roberto caminhou cerca de 20 quilômetros pela mata densa até encontrar socorro. Em um vídeo gravado logo após ser localizado, o jovem tranquilizou a família: “Estou cheio de roxos e perdi meus óculos, mas estou bem”. Ele foi encaminhado ao hospital de Antonina com escoriações leves e para exames de rotina.
Investigação Policial
A Polícia Civil do Paraná acompanha o caso desde sábado (3). O delegado Glaison Lima Rodrigues já ouviu a amiga que acompanhava o jovem e outros montanhistas. Até o momento, o caso é tratado estritamente como desaparecimento, sem indícios de crime.
O que falta esclarecer?
Apesar do alívio pelo resgate, a polícia e as autoridades de segurança ainda buscam respostas para perguntas fundamentais:
- O motivo do mal-estar: O que causou a desorientação inicial do jovem?
- Estratégia de sobrevivência: Como ele se protegeu do frio e se alimentou durante as 120 horas na mata?
- A rota do desaparecimento: Em que momento exato ele saiu da trilha principal e por que não conseguiu retornar ao caminho sinalizado?
Roberto deverá prestar depoimento formal nos próximos dias para detalhar sua versão dos fatos e ajudar a encerrar o inquérito.







