O judô paraense que tantas glórias proporcionou ao Estado com conquistas memoráveis em competições nacionais, tempo em que era comandado por dirigentes sensíveis ao ‘caminho da suavidade’, entretanto, o momento atual é de incerteza, com futuro sombrio por conta das divergências grupais na busca do poder supremo.
Dois grupos brigam pelo comando da Federação. Um pelo controle permanente na entidade. Outro pelo fim dessa hegemonia. A ‘briga’ viralizou para Justiça Comum, transgredindo estatutos da própria FPAJU e da Confederação Brasileira de Judô [CBJ].
Enquanto o imbróglio seguir, não tem competição estadual e nem vislumbre de participar em eventos nacionais.
A entidade nacional emitiu nota oficial sobre a situação:
“A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) informa que, até o presente momento, a Federação Paraense de Judô (FPAJU) não possui representação legal formalmente constituída.
Em razão dessa condição, não há pessoa física legalmente habilitada a praticar os atos administrativos indispensáveis ao funcionamento da Federação, tais como a realização de competições oficiais, bem como a inscrição de clubes e atletas em eventos nacionais ou internacionais.
A situação da FPAJU encontra-se submetida à apreciação do Poder Judiciário, sendo objeto de diversas ações judiciais em curso, não tendo sido apresentada à CBJ, até esta data, ata de eleição e posse registrada em cartório competente, tampouco decisão judicial definitiva que designe responsável legal pela entidade.
A CBJ ressalta que seu Estatuto Social, em especial o art. 5º, parágrafo único, veda expressamente qualquer forma de intervenção administrativa nas Federações filiadas. Dessa forma, a Confederação não detém competência legal ou estatutária para nomear dirigentes, instituir gestão provisória ou adotar medidas que substituam a administração da Federação estadual.
A Confederação compreende os impactos que esse cenário provoca na comunidade do judô paraense e acompanha com atenção e respeito o andamento das demandas judiciais, permanecendo à disposição para cumprir prontamente eventual decisão judicial que venha a restabelecer a normalidade institucional da FPAJU.
A CBJ reafirma seu compromisso com a legalidade, a boa governança e o desenvolvimento do judô brasileiro, sempre em estrita observância às normas estatutárias e às decisões do Poder Judiciário”.
Diante do descalabro, o lamento do mestre João Santos, 7º Dan, é confrangedor. “É inadmissível tudo que está acontecendo no judô paraense, grupos digladiando pelo poder, esquecendo a essência da nossa modalidade. Sou um dos fundadores da federação, ajudei a comprar a sede que está fechada com todo material de competição trancado. Não sei quem tem a chave. Por anos fui secretário, me afastei por causa das brigas internas”, conta.
João Santos com mais de 50 anos de dedicação ao judô paraense lembra das boas gestões de Antônio Louro, Uadhi Charone. “Fazer um paralelo do nosso judô de momento é muito verossímil. Pior que possa parecer hoje estamos no fim da fila. Até o Amapá está na nossa frente”, analisa. O mestre concorda com uma ‘terceira via’ como medida salutar para acabar com a crise existente. “Os dois mestres que estão brigando, que nem são paraenses, poderiam ‘mão’ para um nome de consenso. Assim poderíamos voltar à realidade do judô paraense”, expõe.
Nota que circula nas redes sociais do judô estadual: A comunidade do judô do Estado do Pará é informada que as eleições realizadas para o cargo de presidente da Federação Paraense de Judô – FPAJU ocorreram em desacordo com o Estatuto da entidade. Em razão disso, foi interposta ação judicial no Tribunal de Justiça do Estado do Pará, processo nº 0904811-10.2025.8.14.0301, distribuído por dependência ao processo nº 0818414-45.2025.814.0301 atualmente em trâmite na 2ª Vara Cível e Empresarial de Belém, visando à anulação do referido ato.
No intuito de evitar prejuízos às associações e atletas de judô, e diante das recentes publicações em redes sociais relacionadas à tabela de custas da FPAJU, empresa para arrecadação de emolumentos, bem como calendário de eventos estaduais e nacionais, torna-se público que Cartório do 1º Ofício de Belém informou que não registrará a ata da eleição da FPAJU sem decisão judicial. Ora pois.
Por Braz Chucre/Imagem: Arquivo









