segunda-feira, janeiro 19, 2026
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‘Affordability’: conceito em alta nos EUA e na Europa pode influenciar eleições no Brasil, apontam analistas

Conceito que ganhou força após alta da inflação no pós-pandemia foi central em vitórias democratas nos EUA e pode entrar no radar eleitoral brasileiro. Ideia por trás é que o custo de vida vem sendo percebido como cada vez mais alto.

O aumento do custo de vida passou a decidir eleições nos Estados Unidos e na Europa — e pode influenciar também a disputa eleitoral de 2026 no Brasil, avaliam especialistas. O conceito de “affordability”, que mede o quanto a renda dá conta das despesas do dia a dia, ganhou força após a alta da inflação no pós-pandemia. Em torno dessa ideia, o então candidato à prefeitura de Nova York, o democrata Mamdani, construiu sua campanha vitoriosa.

A estratégia se espalhou para os campos progressistas no hemisfério norte. O g1 ouviu especialistas para saber se essa tendência será relevante também nas eleições do Brasil em outubro.

  • 🔍Mas afinal, o que é “affordability”? O termo pode ser traduzido para o português como custo de vida. Se refere à capacidade da população custear bens e serviços cotidianos. É um conceito que se relaciona diretamente com a inflação, o índice que mede a diminuição do poder de compra da moeda.

“Em palavras mais diretas, é o impacto do custo de vida sobre a decisão de voto. Isso me lembra da frase do estrategista de campanha de Bill Clinton em 1992, que para direcionar a disputa contra George Bush nesse aspecto, disse: ‘É a economia, estúpido’”, explica o doutor e professor de Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), Carlos Oliveira.

Com a pandemia de Covid-19 e a Guerra da Ucrânia, a inflação teve uma grande alta nesses países. Isso fez com que a população sentisse na prática a diminuição do poder de compra e por isso a palavra ganhou destaque nas últimas eleições.

De acordo com o cientista político e analista de Inteligência Qualitativa na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Leonardo Paz, isso acontece porque a Europa e os Estados Unidos “são acostumados com uma inflação de 1%”.

“No ano você nem sente. Quando você pega uma inflação que chega a 8% ao ano, você sente, em dois anos seguidos. A pessoa sente que está conseguindo comprar menos”, afirmou.

Ele reforça que o custo de vida está no centro de eleições em democracias ao redor do mundo e deve aparecer também nas campanhas brasileiras.

“Eu posso garantir com 100% certeza, e olha que são poucas as coisas que eu posso garantir com 100% de certeza quando dou entrevista, é que esse tema vai ser importante, porque custo de vida é um tema importante de todo país em desenvolvimento”, confirmou o analista.

 Foto: Reprodução/Freepik

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