Projeto Cultura na Praça já percorreu mais de 25 mil quilômetros, envolveu mais de 400 jovens e produziu 50 curtas-metragens no Pará e Maranhão
Uma câmera pode ser muito mais do que um equipamento de gravação. Para jovens de comunidades do Pará e do Maranhão, ela tem se transformado em instrumento de expressão, pertencimento e descoberta de novas possibilidades profissionais.
É essa a proposta do Cultura na Praça, projeto criado em 2017 e que chega à sua oitava edição com mais de 25 mil quilômetros percorridos, mais de 400 jovens participantes e 50 curtas-metragens produzidos em oficinas gratuitas de cinema. As obras estão disponíveis gratuitamente, com recursos de acessibilidade, na plataforma culturanapraca.art.br.
Patrocinada pela Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet), a iniciativa tem parceria do Instituto Tatajuba e realização da Vivas Cultura e Esporte e do Ministério da Cultura.
Segundo o cineasta e coordenador do projeto, Cris Azzi, o objetivo vai além de ensinar roteiro, direção, fotografia e edição. A ideia é oferecer ferramentas para que os próprios jovens contem histórias relacionadas às suas comunidades.
O resultado aparece tanto nos filmes quanto na trajetória dos participantes. Professores relatam mudanças no comportamento e no desempenho de estudantes, enquanto muitos pais percebem os filhos mais confiantes e comunicativos. Alguns jovens chegaram à universidade, criaram produtoras ou passaram a trabalhar profissionalmente com audiovisual e comunicação.
EXEMPLO QUE VIROU PROFISSÃO
A história de Gabriel Vieira Santos, de 20 anos, morador de Serra Pelada, no sudeste do Pará, resume esse impacto. Aos 15 anos, ele participou de uma edição do Cultura na Praça e ajudou a produzir o curta “O Reflexo do Tesouro”, sobre a verdadeira riqueza da comunidade: as pessoas.
Hoje, Gabriel integra uma produtora audiovisual criada com amigos e pretende cursar Cinema. Para ele, a oficina mostrou que o sonho de trabalhar com audiovisual poderia se transformar em realidade.
Além de revelar talentos, os filmes produzidos pelo projeto registram sotaques, paisagens, tradições e modos de vida pouco representados nas telas. São histórias que ajudam a mostrar um Brasil que muitas vezes permanece distante dos grandes centros.
Ao estimular o protagonismo juvenil, valorizar a cultura local e priorizar profissionais e fornecedores das regiões atendidas, o Cultura na Praça também movimenta a economia criativa e fortalece as comunidades por onde passa.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações e imagens da Temple Comunicação





