Apesar de avanços recentes, a participação de pessoas com deficiência (PcD) no mercado de trabalho formal do Pará ainda segue abaixo do ideal. Um estudo divulgado pelo DIEESE/PA revela que, em 2025, esse público representava apenas 1,07% do total de vínculos formais no estado — o equivalente a cerca de 16,9 mil trabalhadores.
Segundo o supervisor técnico do Dieese-PA, Everson Cost,a o levantamento mostra que houve crescimento na inclusão desse grupo. Entre 2024 e 2025, o número de trabalhadores com deficiência aumentou cerca de 12,16%, ritmo superior ao crescimento geral do emprego formal no Pará, que foi de 10,07%. Ainda assim, os dados evidenciam que a presença das PcDs no mercado segue distante de refletir sua participação na população.
CRESCIMENTO COM LIMITES
O estudo aponta que o total de vínculos formais no estado saltou de 1,43 milhão em 2024 para 1,57 milhão em 2025, com a geração de mais de 144 mil novos postos de trabalho. Nesse cenário, a inclusão de PcDs também avançou, mas de forma ainda tímida diante do potencial.
Na comparação nacional, o Pará aparece abaixo da média brasileira, que é de 1,27%. Estados como Distrito Federal (1,83%) e São Paulo (1,55%) lideram o ranking de inclusão, evidenciando o espaço que ainda existe para avanços no território paraense.
PERFIL DOS TRABALHADORES
O estudo traça um panorama detalhado do perfil das PcDs no mercado formal do estado. A maioria dos trabalhadores é composta por homens, que representam cerca de 72% do total, enquanto as mulheres somam 28%.
Em relação ao tipo de deficiência, predominam pessoas com deficiência física, que respondem por mais de 42% dos vínculos. Na sequência aparecem trabalhadores com deficiência visual, auditiva e múltipla. Já o grupo com deficiência intelectual, embora ainda minoritário, foi o que mais cresceu proporcionalmente no período analisado.
A escolaridade também se destaca como fator determinante: mais da metade dos trabalhadores com deficiência possui ensino médio completo, enquanto uma parcela menor alcança o ensino superior.
SERVIÇOS CONCENTRAM VAGAS
O setor de Serviços lidera com folga a absorção desse público, concentrando mais da metade dos empregos formais ocupados por PcDs no Pará (56,1%). Indústria e Comércio aparecem na sequência, enquanto áreas como Construção Civil e Agropecuária ainda apresentam participação reduzida.
REMUNERAÇÃO E DESAFIOS
Outro dado relevante é a remuneração média desses trabalhadores, estimada em R$ 4.058, ligeiramente superior à média geral do estado. No entanto, o próprio estudo alerta que esse indicador deve ser analisado com cautela, já que inclui diferentes tipos de vínculos, inclusive do setor público.
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que os desafios permanecem. Entre eles estão a ampliação do acesso ao emprego, a garantia de condições adequadas de trabalho, a qualificação profissional e o cumprimento efetivo da Lei de Cotas.
CAMINHO PARA INCLUSÃO
Na avaliação do DIEESE/PA, a ampliação da participação das pessoas com deficiência no mercado formal depende de políticas públicas mais robustas, investimento em acessibilidade e maior compromisso das empresas com a inclusão.
Mais do que cumprir a legislação, a inserção desse público representa um passo fundamental para reduzir desigualdades e construir um mercado de trabalho mais justo e inclusivo no Pará.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações do DIEESE/PA/Imagem: Telavita, reprodução






