sábado, junho 27, 2026
Desde 1876

Maria Bethânia chega aos 80 anos como referência da música brasileira

Artistas destacam legado e influência da cantora baiana

A presença de Maria Bethânia na música e na cultura brasileiras é marcante. Foi em 60 dos seus 80 de vida que a carreira da cantora se desenvolveu com grandes momentos, como quando saiu de Salvador, Bahia, para o Rio de Janeiro, enfrentar o desafio de substituir Nara Leão no Show do Opinião, em 1965.

O país estava sob a ditadura e o grupo do Teatro Arena de São Paulo se dispersou com a repressão da época. Foi quando a artista baiana subiu ao palco.

O dramaturgo Augusto Boal foi para o Rio e se integrou ao Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes (CPC da UNE) na intenção de criar um espetáculo em resposta à ditadura. Encontrou a resposta que desejava frequentando o restaurante Zicartola, um espaço político-cultural criado pelo compositor e cantor Cartola e pela esposa dele, Dona Zica.

No Zicartola, costumavam se reunir Zé Keti, Nara Leão e João do Vale, artistas do elenco original do Opinião, que estreou em dezembro de 1964. Entre as músicas estava Carcará, que marca a história de Maria Bethânia desde a estreia profissional da cantora..

Da jovem nascida Maria Bethânia Viana Telles Veloso, em 18 de junho de 1946, na cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, até os dias de hoje, foram muitas fases, sempre na busca do sentimento, de trazer as poesias, poemas e textos de grandes autores como Fernando Pessoa e Clarice Lispector, da preservação da cultura popular, do novo e de muita autonomia.

Três anos depois do Opinião, Bethânia já indicava que cabia a ela decidir o que queria cantar, se apresentando ao vivo na Boite Barroco, pequeno espaço musical em Copacabana. Fez a escolha do repertório com clássicos da MPB trazendo compositores como Noel Rosa, Tom Jobim, Torquato Neto, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes, Assis Valente e Dorival Caymmi. Dali surgiu o disco Recital da Boite Barroco, até hoje aclamado.

PARCERIA

A parceria com o irmão Caetano Veloso veio muito cedo. Foi ele, aos 3 anos de idade, quem sugeriu e insistiu com os pais para que a menina se chamasse Maria Bethânia.

A escolha foi decidida em um sorteio. A mãe, dona Canô, disse que chegou a circular na família a versão de uma certa fraude no sorteio, que teria apenas esse nome, mas negou que isso tenha acontecido.

Várias foram as canções de autoria de Caetano feitas para a cantora ao longo da carreira dela. Não à toa o público se manifesta intensamente quando a voz de Bethânia interpreta, entre outras, Oração ao Tempo, Reconvexo e Gente.

Aliás, ter a autoria de uma música na voz de Maria Bethânia é um privilégio. A cantora, compositora e escritora Vanessa da Mata é uma dessas pessoas.

“Foi muito mais do que ver uma canção acender com ela. Tive uma letra que deu nome ao seu disco e ao seu show, e a considero a própria Força Que Nunca Seca!. Fui lançada pela mulher que é referência pra mim e que sinto admiração e respeito! Eu sentia a sua pulsação, sua busca pela vivacidade das palavras, da melodia, a busca pela energia vital pela qual precisamos sempre”, disse à Agência Brasil.

Fonte e imagem: Agência Brasil

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