quinta-feira, junho 25, 2026
Desde 1876

Saiba de algumas histórias de terremotos distantes que assustaram os paraenses

Reflexos de grandes abalos na Venezuela, nos Andes e até no Caribe já fizeram prédios oscilarem na capital paraense. Fenômeno tem explicação geológica

Quando moradores de Belém deixaram seus apartamentos às pressas após sentirem prédios balançarem na noite de quarta-feira (24), durante o jogo do Brasil, muitos tiveram a impressão de estar vivendo um acontecimento inédito. Não era.

A história sísmica da capital paraense mostra que tremores ocorridos a milhares de quilômetros de distância já provocaram cenas semelhantes em diferentes décadas. Embora o Pará esteja longe das principais zonas de terremotos da América do Sul, a energia liberada por grandes abalos pode viajar por longas distâncias e ser percebida na Amazônia.

O episódio mais recente foi o de ontem, após uma sequência de terremotos na Venezuela que alcançaram magnitude de até 7,5. Em Belém, moradores dos bairros do Umarizal, Cremação, Batista Campos e Pedreira relataram oscilações em edifícios. Houve evacuações preventivas e uma enxurrada de relatos nas redes sociais.

A cena lembrava agosto de 2018, quando um terremoto de magnitude 7,3 no norte da Venezuela levou moradores de pelo menos 25 edifícios altos de Belém a deixarem os prédios após sentirem os andares oscilarem. Antes disso, em novembro de 2007, um terremoto de magnitude 7,4 na Martinica, no Caribe, também foi percebido na capital paraense, especialmente nos andares mais altos.

Mas o registro histórico mais marcante remonta a 12 de janeiro de 1970. Naquele dia, um tremor de magnitude 4,5 assustou moradores e fez balançar o Edifício Manuel Pinto da Silva, um dos símbolos da verticalização de Belém. Com o passar dos anos, parte da memória popular passou a associar o episódio a 1974, ano do grande terremoto que atingiu o Peru. Os registros sismológicos, porém, apontam 1970 como a data correta.

A maior parte dos grandes terremotos sul-americanos ocorre na região onde a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana. Quando a energia acumulada é liberada, ondas sísmicas se propagam através das rochas e podem percorrer milhares de quilômetros.

Ao chegarem à Amazônia, essas ondas já estão enfraquecidas e raramente causam danos. Ainda assim, podem produzir oscilações perceptíveis, sobretudo em edifícios altos. Em Belém, o efeito é potencializado pelo solo sedimentar da região, que tende a amplificar determinadas vibrações. Quanto mais alto o prédio, maior costuma ser a sensação de movimento.

O Pará também registra tremores com epicentros locais. Em maio de 2021, um abalo de magnitude 4,3 foi registrado na região de Breves, no Marajó. Em julho de 2018, um tremor de magnitude 2,8 chamou a atenção de moradores de Baião. Diferentemente dos terremotos andinos, esses eventos estão ligados a antigas estruturas geológicas existentes no interior da placa sul-americana.

O monitoramento é feito pela Rede Sismográfica Brasileira, que utiliza equipamentos capazes de registrar vibrações mínimas do solo. Para a população, porém, a experiência continua sendo mais emocional do que científica. Quando um prédio balança sem aviso, os primeiros segundos costumam ser dominados pela dúvida. Só depois vem a explica

Por Paulo Silber/Imagem: Reprodução

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