Encontro promove discussões sobre bioeconomia, financiamento climático, soberania regional e cooperação entre países do Sul Global.
Belém sediará, nos dias 11 e 12 de junho, o seminário “Clima, Inovação e Pan-Amazônia: um Seminário Latino-americano”, evento que busca fortalecer a articulação entre países da América Latina e do Caribe em torno de temas estratégicos para o desenvolvimento sustentável da região. A programação ocorrerá em dois espaços da capital paraense: o Fórum Landi, na Praça do Carmo, no primeiro dia, e um hotel localizado na Avenida Presidente Vargas, no segundo.
O encontro reunirá pesquisadores, gestores públicos, lideranças indígenas e comunitárias, representantes de movimentos sociais, governos nacionais e subnacionais, organismos internacionais e redes acadêmicas. A proposta é construir uma agenda comum para a Amazônia e para o Sul Global, promovendo debates sobre mudanças climáticas, bioeconomia, urbanização, financiamento, soberania regional e cooperação internacional.
Entre os principais destaques da programação está a assinatura do acordo para a criação do CICEF Amazônia, unidade sediada em Belém do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. A iniciativa busca ampliar a produção de conhecimento e a formulação de políticas voltadas aos desafios e potencialidades da região amazônica.
Os debates abordarão temas como integração regional, justiça ambiental, transição ecológica, infraestrutura territorial, direito à cidade, cooperação científica Sul-Sul e disputas geopolíticas relacionadas aos recursos naturais. Também estarão em pauta questões ligadas à democracia, participação social, valorização dos conhecimentos ancestrais e novas estratégias de desenvolvimento para a América Latina e o Caribe.
Promovido pelo Centro de Financiamento Climático para o Sul Global, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), o seminário conta com a parceria do Distrito de Inovação e Bioeconomia de Belém, do Itaipu Parquetec e do Instituto Clima e Sociedade.
A programação inclui mesas de debate e reuniões com a participação de especialistas e autoridades, entre eles Vitarque Lucas Paes Coelho, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e Carlos Pinkusfeld Bastos, diretor-presidente do CICEF, além de ex-ministros, parlamentares e cientistas de diversas regiões do Brasil e de outros países.
De acordo com o professor Cláudio Puty, integrante da coordenação do evento, a realização da COP 30 em Belém ampliou a visibilidade internacional da Amazônia, mas os desafios enfrentados pela região exigem respostas construídas a partir das realidades latino-americanas. Para ele, é fundamental consolidar uma agenda baseada na soberania, no desenvolvimento, na democracia e na justiça socioambiental.
Puty destaca ainda que a bioeconomia deve ocupar papel central na estratégia de inovação amazônica, integrando ciência, tecnologia e saberes ancestrais para gerar emprego, renda e infraestrutura. Segundo o professor, o grande desafio é desenvolver soluções adaptadas às características do território amazônico, capazes de enfrentar desigualdades históricas, a urbanização precária e modelos predatórios de exploração dos recursos naturais.
Outro ponto ressaltado pelo coordenador é a necessidade de ampliar o acesso ao financiamento climático por parte de governos subnacionais, instituições locais e organizações territoriais. Na sua avaliação, a Amazônia precisa de investimentos em conectividade, logística, energia e infraestrutura digital, sem reproduzir modelos externos que aprofundem a exclusão social ou a dependência de atividades extrativistas.
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