Cantora se apresentou pela terceira vez no evento em Interlagos
Da última vez que vi Marina no Lollapalooza, o ano era 2022 – o primeiro com uma edição do festival desde o início da pandemia de covid-19. Nesse contexto, saudei o show da diva indie galesa como um retorno bem-vindo dos espetáculos pop. Quatro anos depois, ela voltou para o Lolla 2026, desta vez no palco principal do evento, como o ato do pôr do Sol do sábado (21)… e a conversa agora é outra.
Vale lembrar também que, antes de 2022, Marina já havia tocado no festival paulistano em 2016, o que faz dela uma das raras artistas internacionais a celebrar um tricampeonato no Lolla Brasil. O conforto da cantora no Palco Budweiser é a evidência cabal dessa reincidência: Marina está em casa por aqui.
Exatamente como quatro anos atrás, um dos destaques do show é o excelente domínio que ela tem de seu repertório. Marina não cede aos dois impulsos gêmeos, ainda que opostos, que dominam os shows de artistas com trajetórias parecidas à dela: primeiro, o de apoiar o espetáculo todo em hits antigos, muitas vezes desempenhados sem ânimo; segundo, o de forçar canções novas demais, para as quais pouca gente de fato liga. Com ela, reina um equilíbrio bem bacana – não há vergonha de celebrar eras passadas, nem insistência exagerada em emplacar as novas.
Daí que o The Family Jewels (2010), álbum que lançou a carreira de Marina no cenário do indie pop, aparece quase tantas vezes no setlist quanto Princess of Power (2025), seu disco mais recente… e bem mais do que Love + Fear (2019), título renegado da discografia, que (salvo engano) nem deu as caras no espetáculo. A parcimônia funciona para cadenciar a performance, até pelos estilos contrastantes dos discos, e ainda gera sequências alucinantes para o público.
Quando “I Am Not a Robot” (do Jewels) deságua em “Metallic Stallion” (do Princess), incrementada por um sample de “Hung Up” (de Madonna), e tudo culmina em “Froot” (canção título do álbum de mesmo nome, de 2015), fica difícil de argumentar contra a engenharia do setlist.
Já a diferença fundamental entre os espetáculos que vimos em 2022 e 2026 está na postura da estrela. Se antes havia o impulso de se provar como show woman, conversando o tempo todo com as câmeras e apostando pesado na sensualidade, aqui ela banca uma performance simples, carismática e enérgica – e isso é mais do que o bastante. Altiva em um collant adornado com elementos da flora brasileira, Marina desfilou e pulou pelo Palco Budweiser, fez arabescos com as mãos e com a voz (por vezes perdendo o fôlego, mas nunca perdendo os agudos), e não deixou lastro de artificialidade atrás de si.
A vibe da era Princess of Power já mostrava uma Marina mais confiante, confortável na própria pele. Junte isso a um palco no qual ela já está em casa, e pronto: você tem a receita para um show que deu boas-vindas à segunda noite do Lollapalooza com as energias perfeitamente calibradas.








