sábado, março 21, 2026
Desde 1876

Veterana do festival, Marina estava em casa no Lollapalooza 2026

Cantora se apresentou pela terceira vez no evento em Interlagos

Caio Coletti

Da última vez que vi Marina no Lollapalooza, o ano era 2022 – o primeiro com uma edição do festival desde o início da pandemia de covid-19. Nesse contexto, saudei o show da diva indie galesa como um retorno bem-vindo dos espetáculos pop. Quatro anos depois, ela voltou para o Lolla 2026, desta vez no palco principal do evento, como o ato do pôr do Sol do sábado (21)… e a conversa agora é outra.

Vale lembrar também que, antes de 2022, Marina já havia tocado no festival paulistano em 2016, o que faz dela uma das raras artistas internacionais a celebrar um tricampeonato no Lolla Brasil. O conforto da cantora no Palco Budweiser é a evidência cabal dessa reincidência: Marina está em casa por aqui.

Exatamente como quatro anos atrás, um dos destaques do show é o excelente domínio que ela tem de seu repertório. Marina não cede aos dois impulsos gêmeos, ainda que opostos, que dominam os shows de artistas com trajetórias parecidas à dela: primeiro, o de apoiar o espetáculo todo em hits antigos, muitas vezes desempenhados sem ânimo; segundo, o de forçar canções novas demais, para as quais pouca gente de fato liga. Com ela, reina um equilíbrio bem bacana – não há vergonha de celebrar eras passadas, nem insistência exagerada em emplacar as novas.

Daí que o The Family Jewels (2010), álbum que lançou a carreira de Marina no cenário do indie pop, aparece quase tantas vezes no setlist quanto Princess of Power (2025), seu disco mais recente… e bem mais do que Love + Fear (2019), título renegado da discografia, que (salvo engano) nem deu as caras no espetáculo. A parcimônia funciona para cadenciar a performance, até pelos estilos contrastantes dos discos, e ainda gera sequências alucinantes para o público.

Quando “I Am Not a Robot” (do Jewels) deságua em “Metallic Stallion” (do Princess), incrementada por um sample de “Hung Up” (de Madonna), e tudo culmina em “Froot” (canção título do álbum de mesmo nome, de 2015), fica difícil de argumentar contra a engenharia do setlist.

Já a diferença fundamental entre os espetáculos que vimos em 2022 e 2026 está na postura da estrela. Se antes havia o impulso de se provar como show woman, conversando o tempo todo com as câmeras e apostando pesado na sensualidade, aqui ela banca uma performance simples, carismática e enérgica – e isso é mais do que o bastante. Altiva em um collant adornado com elementos da flora brasileira, Marina desfilou e pulou pelo Palco Budweiser, fez arabescos com as mãos e com a voz (por vezes perdendo o fôlego, mas nunca perdendo os agudos), e não deixou lastro de artificialidade atrás de si.

vibe da era Princess of Power já mostrava uma Marina mais confiante, confortável na própria pele. Junte isso a um palco no qual ela já está em casa, e pronto: você tem a receita para um show que deu boas-vindas à segunda noite do Lollapalooza com as energias perfeitamente calibradas.

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