Especialista aponta recuperação de até cinco semanas e avisa que retorno do craque será gradual: “Não entra para partida completa”
A atualização sobre a gravidade da lesão de Neymar, divulgada nesta quinta-feira (28), acendeu o sinal de alerta nos bastidores do futebol brasileiro. O atacante foi diagnosticado com uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita, o que levantou fortes dúvidas sobre suas condições físicas e um possível prejuízo para a Copa do Mundo que se aproxima.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) trabalha com um prazo estimado de duas a três semanas para o retorno do atleta. O problema teve origem no dia 17 de maio, durante o confronto do Santos contra o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro, quando o clube paulista detectou um edema de dois milímetros no local. Desde então, o camisa 10 não voltou a atuar pelo Peixe.
O que diz a medicina: Recuperação gradual e risco para a Copa
Em entrevista à CNN, o Dr. João Manoel Fonseca, ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explicou a complexidade desse tipo de contusão no esporte de elite.
“É uma lesão muito chata pra um atleta de alto rendimento. A lesão grau 2 é quando ocorre 50% da lesão das fibras musculares. Na literatura, a média de tratamento gira em torno de três a cinco semanas”, detalhou o especialista.
Como a lesão aconteceu há cerca de 11 dias, o jogador já se encontra em uma fase de tratamento subagudo — quando não há mais a necessidade de usar muletas ou proteger a carga de forma tão drástica. No entanto, o médico alerta que as próximas duas ou três semanas serão cruciais para evitar um estiramento que agrave o quadro para o grau 3, o que comprometeria de vez a participação do craque no início do Mundial.
Mesmo quando estiver liberado para voltar aos gramados, Neymar não deve aguentar uma partida inteira de imediato:
- Retorno controlado: A comissão técnica terá que dosar rigorosamente a carga de treinos e o tempo de jogo.
- Processo lento: “Muito provavelmente não vai voltar jogando uma partida completa. Vai ser algo gradual. Normalmente, não entra para fazer uma partida completa”, reforçou o Dr. João Manoel.
Desfalque certo na Seleção de Carlo Ancelotti
Por conta do cronograma de reabilitação estabelecido pela CBF, Neymar já se tornou desfalque confirmado para os dois últimos amistosos preparatórios da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo.
Com os compromissos agendados para um intervalo inferior a 10 dias, o atacante está fora do duelo contra o Panamá, neste domingo (31), no Maracanã, e também não viaja para os Estados Unidos, onde o Brasil enfrentará o Egito no dia 6 de junho. A ausência mexe diretamente nos planos táticos do técnico Carlo Ancelotti.
“Problema de quê?”, rebate o craque
Apesar do cenário médico inspirar cuidados, a postura de Neymar e do corpo técnico do Santos é de otimismo. Rodrigo Zogaib, coordenador do Núcleo de Saúde do Santos, minimizou o edema inicial chamando-o de “leve” e afirmou que a ideia do clube sempre foi “entregar o jogador apto ou quase apto na apresentação da Seleção”.
O próprio craque fez questão de ironizar a preocupação da imprensa. Na última terça-feira, ao acompanhar a vitória do Santos sobre o Deportivo Cuenca pela Copa Sul-Americana antes de se juntar à delegação brasileira, Neymar foi questionado sobre o estado de sua panturrilha e respondeu: “Está aqui, inteira”.
Ao ser confrontado se a lesão se tornaria um grande problema para a Copa do Mundo, o atacante foi incisivo e rebateu o repórter: “Problema do quê?”.











