Tragédia aconteceu por volta das 22h de sábado (5); investigação tenta esclarecer origem do incêndio e moradores questionam falta de equipamentos para o resgate
Os corpos das quatro pessoas da mesma família que morreram durante o incêndio de grandes proporções ocorrido na noite de anteontem, sábado, 05, em Capanema, no nordeste do Pará, serão submetidos a procedimentos de identificação no Instituto Médico Legal (IML) de Castanhal, incluindo exames de DNA. Enquanto familiares aguardam a liberação das vítimas, a Polícia Civil e a Polícia Científica trabalham para esclarecer o que provocou o sinistro.
O incêndio começou por volta das 22h, na entrada do bairro São José, às margens da BR-316, e rapidamente tomou o imóvel onde funcionava, no pavimento inferior, a Loja do Soares. Nos andares superiores ficava a residência da família.
Morreram José Ribeiro Soares, de 48 anos, proprietário do estabelecimento; Dieli Damasceno, de 35 anos; e as crianças Maria Valentina, de 8 anos, e José Pietro, de 10 anos. Segundo informações divulgadas após a tragédia, Dieli estava grávida.
PEDIDOS DE SOCORRO PELA JANELA
Os momentos finais da família foram registrados em vídeos que circulam pelas redes sociais. Com o fogo avançando pelo prédio e uma intensa nuvem de fumaça tomando o ambiente, os quatro apareceram em uma janela e pediram socorro.
Moradores tentaram ajudar utilizando escadas e outros meios improvisados, mas não conseguiram alcançar as vítimas. A intensidade das chamas e o calor impediram uma aproximação segura.
O episódio também abriu uma discussão sobre a estrutura disponível para atendimento de emergências em Capanema. Testemunhas e moradores questionaram a demora no atendimento e relataram que a equipe dos bombeiros enfrentou limitações de equipamentos para realizar um resgate daquela complexidade. Até o momento, o Corpo de Bombeiros não apresentou, nas manifestações localizadas pela reportagem, esclarecimento público conclusivo sobre essas críticas.
FOGO COMEÇOU NA ÁREA COMERCIAL
As informações preliminares apontam que as chamas tiveram início na parte comercial do imóvel e depois se espalharam rapidamente para os pavimentos superiores.
A existência de pneus e outros materiais no estabelecimento pode ter contribuído para a velocidade de propagação do fogo, mas essa hipótese ainda depende da perícia. Uma suspeita inicial de curto-circuito também foi mencionada, porém não há confirmação oficial de que essa tenha sido a causa do incêndio.
O imóvel ficou severamente danificado. Depois do combate às chamas, uma retroescavadeira precisou ser utilizada para permitir o acesso à estrutura e auxiliar na retirada dos corpos, diante do risco de desabamento.
PERÍCIA VAI APONTAR A CAUSA
A Polícia Científica realizou a perícia no local e recolheu os corpos. O laudo destinado a apontar as causas do incêndio tem prazo inicial de até dez dias úteis, podendo ser prorrogado em razão da complexidade do caso.
A Polícia Civil instaurou investigação para apurar as circunstâncias da tragédia. Entre os pontos que deverão ser analisados estão a origem do fogo, a velocidade de propagação das chamas, as condições estruturais e de segurança do imóvel e as circunstâncias que dificultaram a saída da família.
A tragédia provocou comoção em Capanema e em municípios da região. Agora, além da dor das famílias, permanece a cobrança por respostas: o que iniciou o fogo e por que não foi possível retirar com vida as quatro pessoas que estavam presas no andar superior?Por ROBERTO BARBOSA/Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução, vídeo: Jorge Nascimento







