sábado, janeiro 24, 2026
Desde 1876

Vídeo: Roma se despede de Valentino Garavani em funeral repleto de personalidades

Estilista morreu aos 93 anos no último dia 19 de janeiro; cerimônia emocionante marca o fim de uma era na moda.

O universo da moda e a sétima arte unem-se em luto para o adeus final a uma de suas maiores lendas. O funeral de Valentino Garavani é realizado nesta sexta-feira (23), na Basílica di Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, em solo romano. O mestre, cuja trajetória atravessou os séculos XX e XXI como a mais longeva da alta-costura, faleceu aos 93 anos no último dia 19 de janeiro, em sua casa em Roma, cercado pela família e amigos próximos, conforme informou sua fundação oficial.

A despedida solene ocorre após dois dias de velório no PM23, o vibrante centro cultural da Fondazione Valentino Garavani. Durante as homenagens, o caixão do estilista permaneceu sob uma grandiosa instalação de flores brancas, criando um cenário de serenidade antes de seguir em cortejo para a histórica basílica da capital italiana.

A cerimônia atraiu uma constelação de personalidades e os principais comandantes do mercado de luxo. Anna Wintour marcou presença com seus característicos colares em tons pastel, acompanhada pelo designer Tom Ford e pela crítica Suzy Menkes. O legado da grife foi representado por Alessandro Michele, atual diretor criativo, e Pierpaolo Piccioli, que liderou a marca por 16 anos, ao lado de François-Henri Pinault, CEO do grupo Kering. Donatella Versace, em um imponente vestido preto, e Maria Grazia Chiuri, da Fendi, também prestaram seus respeitos.

O interior da basílica foi transformado por um oceano de flores alvas, contrastando com o cenário do lado de fora, onde centenas de admiradores se aglomeravam. Muitos fãs exibiam peças e acessórios no inconfundível “Vermelho Valentino”, a cor que se tornou sua marca registrada no mundo. Em meio à multidão, uma faixa sintetizava a importância do momento: “Adeus, Valentino. O último imperador da moda.”

Valentino Garavani foi, por décadas, o destino final para mulheres que desejavam o auge do luxo. Suas obras serviram como verdadeiros talismãs para ícones como Sophia Loren, Julia Roberts e Anne Hathaway — que esteve presente no funeral — em momentos históricos no tapete vermelho do Oscar. Defensor ferrenho da estética clássica, o estilista justificava seu sucesso com simplicidade: “Eu sei o que as mulheres querem. Elas querem ser bonitas.”

O adeus ao mestre simboliza o encerramento de um capítulo onde a sofisticação era a regra inegociável da moda global. Sua partida traz à memória uma declaração profética feita no documentário de 2008, quando, ao refletir sobre o futuro do setor após sua aposentadoria, ele sentenciou em sua língua nativa: “Depois de mim, a enxurrada.”

Com uma modelagem impecável e seu emblemático “vermelho papoula”, Valentino Garavani foi o mestre dos detalhes. Laços, babados, rendas e bordados eram as ferramentas com as quais ele ergueu o glamour do final do século XX. Seu círculo íntimo, as famosas “Garotas de Val”, ostentava nomes como Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn e Sophia Loren. Entre seus marcos históricos, destaca-se o vestido branco de Jackie Kennedy em seu casamento com Onassis e a icônica releitura verde-menta usada por Jennifer Lopez no Oscar de 2003. Outro momento inesquecível foi o Oscar de 2001, quando Julia Roberts venceu o prêmio de Melhor Atriz vestindo um elegante Valentino vintage em preto e branco.

Em 2009, o documentário Valentino: O Último Imperador revelou os bastidores de sua rotina e sua parceria de vida com Giancarlo Giammetti. No filme, o estilista sintetizou sua filosofia em uma frase que se tornou seu mantra comercial e estético: “Eu sei o que as mulheres querem, elas querem ser bonitas”. Essa visão clara não apenas definiu sua marca, mas o transformou em um dos nomes mais bem-sucedidos e ricos da indústria global.

Mesmo após sua aposentadoria em 2008, celebrada com uma festa de três dias em Roma, Valentino permaneceu como uma figura presente e respeitada. Era comum vê-lo na primeira fila dos desfiles em Paris, prestigiando seus sucessores Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri. Sua paixão pela moda nunca arrefeceu; em 2018, ele chegou a ser flagrado chorando de emoção ao aplaudir de pé uma coleção de alta-costura de Piccioli. Fora das passarelas, Garavani compartilhava seu estilo de vida luxuoso no Instagram, dividindo-se entre sua propriedade francesa e seu iate, quase sempre acompanhado por seus inseparáveis pugs.

Da Formação à Fundação da Maison

Nascido em Voghera, Itália, em 1932, Valentino soube cedo que seu destino era o design. Aos 17 anos, mudou-se para Paris para estudar na École des Beaux Arts e na Chambre Syndicale. Sua formação foi lapidada ao lado de grandes mestres: Jean Dessés ensinou-lhe o drapeado, e Guy Laroche, a estética esportiva. Após uma passagem pela maison da princesa Irene Galitzine, Valentino voltou à Itália para fundar sua própria casa na Via Condotti, em Roma, por volta de 1959. O início foi grandioso, inspirado no modelo das grandes casas de Paris, mas quase o levou à falência devido ao seu “gosto por champanhe” e altos custos, forçando-o a mudar para um espaço mais modesto na Via Gregoriana com seu sócio Giammetti.

A Ascensão entre as Estrelas

A sorte de Valentino mudou definitivamente quando sua estética encontrou o brilho de Hollywood. Em 1961, Elizabeth Taylor escolheu um de seus modelos brancos para a estreia de Spartacus, atraindo os holofotes do mundo para o jovem estilista. Contudo, foi a coleção “All White” de 1968 que o consagrou. A revista Vogue a descreveu como o auge do romance e da perfeição, elevando Valentino ao status de ícone do luxo moderno e “ídolo dos jovens”. Apesar da importância histórica do branco em sua carreira, ele seria eternamente associado ao “Vermelho Valentino” — um tom vibrante que simboliza a paixão, a religião e o desejo italiano.

Foto: Reprodução e Getty Images

A Filosofia da Sedução e o Rigor Formal

Para Valentino, cada peça era criada para “atrair, seduzir e encantar”. No entanto, suas clientes eram, acima de tudo, damas. Seu trabalho carregava uma formalidade que remetia ao glamour clássico do jet set. O fascínio de sua marca residia nessa conexão com a alta sociedade, onde decotes profundos e detalhes de lingerie conviviam com um requinte inabalável. No mundo de Valentino, o termo “casual” era inexistente; ele mantinha-se impecável com seu terno e bronzeado característicos, mesmo em momentos de lazer em Capri.

Esse rigor estendia-se aos seus escritórios, onde Pierpaolo Piccioli recorda que o ar-condicionado operava no máximo para permitir que todos trabalhassem de terno, independentemente do calor do verão romano. Havia um ritual de formalidade que Valentino não negociava. Como o próprio mestre profetizou sobre sua importância e o futuro da moda: “Depois de mim, a enxurrada”. Sua partida encerra o capítulo mais longo e sofisticado da alta-costura contemporânea.

Foto: Getty Images

banner 300x100

artigos relacionados

PERMANEÇA CONECTADO

50,319FansLike
3,554FollowersFollow
22,800SubscribersSubscribe
banner 320x320
Prorefis_2025_320x320px

Mais recentes