quarta-feira, março 25, 2026
Desde 1876

A PROVÍNCIA DO PARÁ um patrimônio vivo do jornalismo amazônico há 150 anos

Por ROBERTO BARBOSA/Editor

Empresas surgem e desaparecem com o passar do tempo. Poucas, no entanto, conseguem atravessar gerações, resistir a crises políticas, econômicas e até mesmo a episódios de violência, mantendo-se vivas na memória e no cotidiano da sociedade. Mais raras ainda são aquelas que renascem após momentos de adversidade, fortalecidas por sua história e pelo compromisso com a informação. Esse é o caso do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ.

Ao completar 150 anos de fundação — marco histórico celebrado em 25 de março de 2026 — o periódico consolida-se como um dos mais antigos em circulação na América do Sul e um dos mais importantes símbolos da imprensa na região Norte do Brasil, especialmente no Estado do Pará.

Fundado em 1876, em Belém, por Joaquim José de Assis, Francisco de Souza Cerqueira e Antônio José de Lemos, então intendente da capital paraense, o jornal nasceu em formato tabloide, vespertino, com apenas quatro páginas. A primeira delas era dedicada à publicação de anúncios oficiais, refletindo o modelo editorial da época.

Desde o início, enfrentou desconfiança. Em um cenário marcado pela efemeridade dos periódicos do século XIX, muitos acreditavam que seria apenas mais um jornal de vida curta. O tempo tratou de desmistificar os céticos. A PROVÍNCIA DO PARÁ não apenas sobreviveu, como cresceu, ganhou influência política e consolidou seu papel na formação da opinião pública.

Instalado em um imponente palacete na Praça da República — onde atualmente funciona o Instituto de Educação do Estado do Pará — o jornal viveu um período de expansão e prestígio. No entanto, também enfrentou momentos dramáticos. De acordo com registros históricos do jornalista e escritor Carlos Roque, a sede foi incendiada por adversários políticos ligados ao grupo de Lauro Sodré, o que levou à suspensão temporária das atividades. Ainda assim, o episódio não significou o fim, mas sim mais um capítulo de resistência.

No pós-Segunda Guerra Mundial, o jornal passou a integrar o império de comunicação de Assis Chateaubriand, à frente dos Diários Associados. Sob essa gestão, A PROVÍNCIA DO PARÁ fez parte de um amplo sistema de mídia que incluía a Super Rádio Marajoara, a Província FM, a TV Marajoara Canal 2, além de outros veículos regionais, caso do Jornal de Santarém e da Folha Vespertina. Foi um período de modernização e expansão, inserindo o jornal em uma rede nacional de comunicação.

Ao longo das décadas, o periódico se destacou pela capacidade de inovação. Em 25 de março de 1976, ao celebrar seu centenário, lançou uma edição histórica com 100 páginas — um feito notável para a época em Belém, em offset. Anos depois, superou essa marca com uma publicação de 200 páginas dedicada à história dos municípios paraenses, reforçando seu compromisso com a memória regional e com a primazia de seu noticiário e de suas investidas.

Mesmo antes da popularização da impressão em cores, A PROVÍNCIA DO PARÁ já ousava. Produziu edições especiais em policromia em datas marcantes, como o Círio de Nazaré — uma das maiores manifestações religiosas do mundo —, o casamento do Príncipe Charles com a Princesa Diana e a visita do Papa João Paulo II à capital paraense, no início da década de 1980. Essas iniciativas evidenciam o espírito pioneiro do jornal.

Com o passar dos anos, mudanças societárias também marcaram sua trajetória. Após o enfraquecimento do grupo Diários Associados no Pará, o jornal foi adquirido pelo empresário Gengis Freire, passando por um processo de modernização tecnológica que consolidou a impressão em cores. Posteriormente, enfrentou dificuldades financeiras e chegou a interromper sua circulação ao ser assumido pelo publicitário Miguel Barlete Arraes, conhecido como Miguel Barulho.

Mais uma vez, porém, a história de A PROVÍNCIA DO PARÁ mostrou sua força. O jornal retornou às ruas de Belém, reinventando-se como publicação quinzenal e integrando o Grupo Marajoara de Comunicação, pertencente ao Grupo Carlos Santos. Sob a liderança de Carlos Santos (CIO do Grupo Marajoara de Comunicação) e Aline Santos (Diretora-Administrava do jornal), iniciou uma nova fase marcada pela transformação digital. Era lançada a edição on-line do jornal, seguindo as tendências da mídia moderna e da contemporaneidade.

Assim, hoje, o jornal ultrapassa as fronteiras do impresso e se consolida no ambiente on-line, com presença dinâmica e atualização em tempo real. A PROVÍNCIA DO PARÁ mantém-se fiel à sua essência, mas adaptada às exigências do jornalismo contemporâneo — mais ágil, multimídia e conectado.

Ao longo de um século e meio, o veículo também se firmou como uma verdadeira “escola de jornalismo”, responsável pela formação de gerações de profissionais da comunicação na Amazônia. A máxima consagrada entre leitores e jornalistas permanece atual: “se não deu em A PROVÍNCIA, o fato não aconteceu”.

Deste modo, em seus 150 anos, A PROVÍNCIA DO PARÁ reafirma seu compromisso com a verdade, a história e a sociedade paraense. Mais do que um jornal, é um patrimônio cultural, um testemunho vivo das transformações do Pará e da Amazônia — e uma prova de que tradição e inovação podem caminhar juntas.

A história continua. A gaveta está aberta e com ela, a perenidade de A PROVÍNCIA DO PARÁ.

PRÊMIOS

  • 995: Esso Regional Norte, concedido a Ullisses Campbell, pela obra “O submundo da prostituição”;
  • 1997: Esso Regional Norte, concedido a Ullisses Campbell, pela obra “A máfia da terra”;
  • 1998: Esso Regional Norte, concedido a Ullisses Campbell, pela obra “Fogo no caminho das crianças de Paragominas”.
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