quarta-feira, junho 3, 2026
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População paraense envelhece em ritmo acelerado e Estado já enfrenta desafios para sustentar crescimento econômico e Previdência

O Pará está diante de uma das maiores transformações sociais de sua história. A queda contínua da fecundidade, combinada ao aumento da expectativa de vida, está alterando rapidamente o perfil demográfico do estado e impondo novos desafios à economia, ao mercado de trabalho e às políticas públicas.

Projeções populacionais indicam que a participação de idosos na população paraense deverá crescer de forma expressiva nas próximas décadas, enquanto o contingente de jovens tende a perder representatividade. O fenômeno acompanha uma tendência nacional, mas apresenta impactos específicos para um estado que ainda busca ampliar sua infraestrutura social, reduzir desigualdades regionais e consolidar seu desenvolvimento econômico.

Para o economista paraense Luiz Carlos das Dores Silva, o envelhecimento da população representa uma conquista civilizatória, mas exige planejamento imediato para evitar desequilíbrios futuros.

“O Pará vive uma transição demográfica em velocidade inédita. Estamos avançando para uma realidade em que haverá proporcionalmente menos jovens ingressando no mercado de trabalho e mais pessoas dependentes de aposentadorias, assistência social e serviços de saúde”, analisa. “Isso cria desafios importantes para a economia estadual, sobretudo porque a capacidade de financiamento dessas políticas dependerá de uma base ativa de trabalhadores cada vez menor”, afirma.

Segundo ele, a principal preocupação não está apenas no aumento dos gastos públicos, mas também na capacidade de manter o crescimento econômico em um cenário de redução da população em idade produtiva.

“Durante décadas, o crescimento populacional contribuiu para ampliar a oferta de mão de obra. Agora, a lógica começa a mudar. O Pará precisará produzir mais riqueza com menos trabalhadores formais. Isso significa investir fortemente em educação, qualificação profissional, tecnologia, inovação e aumento da produtividade”, observa.

O economista destaca que a nova realidade também exigirá uma mudança de visão sobre a participação dos idosos na economia. Para ele, a longevidade deve ser encarada como oportunidade, e não apenas como fonte de custos.

“Precisaremos valorizar a experiência acumulada pelos trabalhadores mais velhos, estimular formas flexíveis de inserção no mercado e criar condições para que essas pessoas permaneçam economicamente ativas por mais tempo, quando desejarem. O envelhecimento pode ser um ativo econômico, desde que haja políticas adequadas”, diz Luiz Carlos.

Pressão real

A situação paraense reflete uma mudança que já se desenha em todo o país. De acordo com projeções do IBGE, em cerca de três anos o Brasil terá mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de até 14 anos. Em 2029, os idosos deverão somar 40,1 milhões de pessoas, superando os 39,2 milhões de brasileiros nessa faixa etária mais jovem.

O avanço da longevidade também pressiona o sistema previdenciário. Atualmente, o modelo brasileiro funciona com base na contribuição dos trabalhadores em atividade para financiar aposentadorias e pensões. Com menos jovens ingressando no mercado e mais idosos recebendo benefícios, cresce o desafio de manter o equilíbrio financeiro do sistema.

Para Luiz Carlos das Dores Silva, essa discussão precisa ser enfrentada com antecedência no Pará. “O estado deve começar a se preparar desde já para uma sociedade mais envelhecida. Isso envolve planejamento previdenciário, ampliação da rede de saúde voltada ao idoso, adaptação das cidades e criação de estratégias econômicas capazes de compensar a redução da força de trabalho. Quanto mais cedo forem tomadas as decisões, menores serão os impactos futuros.”

Ele ressalta que o envelhecimento populacional não deve ser visto como uma crise inevitável, mas como uma mudança estrutural que exige adaptação. “O Pará terá de aprender a crescer economicamente em uma realidade diferente da que conhecemos nas últimas décadas. A questão central não será apenas quantas pessoas teremos, mas o quanto elas serão produtivas e capazes de gerar desenvolvimento. A longevidade é uma conquista da sociedade. O desafio agora é transformá-la também em uma oportunidade para o futuro.”

Por Paulo Silber/Imagem: Reprodução Cidade 091

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