quinta-feira, junho 18, 2026
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Arte, orgulho e identidade: Usuários com autismo constroem painel coletivo em Belém

No Dia do Orgulho Autista, jovens atendidos pelo CIIR expressam seus talentos, autonomia e sonhos na busca por uma sociedade sem estigmas.

Desenhos, palavras, colagens e mensagens repletas de significado ganharam forma nos painéis construídos pelos usuários do Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cetea) e do Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea). A ação ocorreu em alusão ao Dia do Orgulho Autista, celebrado neste 18 de junho. Mais do que uma atividade simbólica, a iniciativa se transformou em um poderoso espaço de expressão, pertencimento e valorização da identidade neurodivergente.

A data propõe uma reflexão profunda sobre o respeito à neurodiversidade, o combate aos estigmas e a promoção da verdadeira inclusão. Nos espaços especializados do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, esse orgulho é fortalecido diariamente por meio de ações que estimulam a autonomia, o desenvolvimento de habilidades e a participação ativa dos usuários em suas próprias histórias.

Para a coordenadora assistencial do Cetea, Sâmilly Batista, debater a importância da data dentro de um serviço especializado amplia o olhar da sociedade sobre as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA):

“Essa reflexão contribui diretamente para a redução de estigmas e para o fortalecimento do protagonismo, incentivando a participação ativa nos diferentes contextos de vida e promovendo dignidade, pertencimento e valorização da pessoa com TEA”, afirma a coordenadora.

Autonomia e histórias de conquista

O trabalho desenvolvido pelas equipes do CIIR vai muito além das intervenções terapêuticas tradicionais; o foco está em fortalecer a independência e a participação social. Na prática, isso se reflete nas vivências diárias dos próprios usuários, que expressam o orgulho autista por meio de seus talentos, estudos e sonhos:

  • Criatividade e paz: Felipe Pinheiro Modesto, de 21 anos, atendido pelo Natea, encontra seu orgulho no artesanato. Confeccionando anéis e pulseiras, ele destaca o bem-estar que a arte lhe proporciona: “Eu gosto de quem eu sou. Quando faço as coisas de que gosto, me sinto tranquilo, calmo, feliz e bem comigo mesmo”.
  • Sede de conhecimento: Jonathan Vinícios Pinheiro Moraes, de 25 anos, é apaixonado por Química, aprendeu noções de japonês de forma autodidata na internet e desenvolveu a habilidade de consertar eletrônicos apenas observando. “Os autistas podem estudar, aprender e trabalhar. Cada pessoa tem suas habilidades”, pontua.
  • Afeto e rotina: Para Lennox Jean de Almeida Trindade, de 27 anos, o orgulho está nos gestos cotidianos de apoio à família: “Gosto de ajudar em casa e, quando consigo fazer alguma coisa para ajudar minha família, me sinto bem”.
  • Futuro profissional: Lorrany Moraes Gonçalves, de 19 anos, compartilha o desejo de concluir os estudos e ingressar no mercado de trabalho, reforçando que o respeito e a compreensão são a base para uma sociedade mais inclusiva.

Um mural feito de potencialidades

O painel coletivo do Orgulho Autista respeitou a forma de expressão única de cada participante. O resultado foi uma obra rica em detalhes e identidades.

“Ele emociona por carregar o toque de cada um. Cada produção revela um pouco da identidade de quem a construiu”, emociona-se Sâmilly Batista. Para ela, o mural transmite uma mensagem clara: “As pessoas com autismo têm identidade, têm potencial, têm voz e têm direito à participação”.

Foto: Ascom/CIIR

Serviço e Referência no Pará

O CIIR é a grande referência no Pará na assistência de média e alta complexidade às Pessoas com Deficiência (PcDs) visual, física, auditiva e intelectual.

Como ter acesso: O atendimento ocorre via encaminhamento das unidades de Saúde municipais. O pedido é acolhido pela Central de Regulação de cada município e encaminhado à Regulação Estadual, onde o perfil do usuário é analisado pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).

Serviço: O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é um órgão do governo do Pará. Funciona na Rodovia Arthur Bernardes nº 1000, em Belém. Já o Cetea funciona na Rua Presidente Pernambuco, nº 489, bairro Batista Campos, também em Belém.

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