Na Febraban Tech, presidente Luiz Lessa destacou que financiamento, assistência técnica e acesso a mercado precisam caminhar juntos para dar sustentabilidade econômica aos pequenos negócios
O Banco da Amazônia defendeu, na quarta-feira (26/8), no encerramento da Febraban Tech 2026, em São Paulo, que a ampliação do acesso ao crédito para pequenos produtores e empreendedores esteja conectada à assistência técnica, à educação financeira e à organização das cadeias produtivas. O presidente Luiz Lessa participou do painel “Transição Verde e Inclusão Social: cidadania, crédito e educação como pilares da economia sustentável” e destacou que o financiamento, isoladamente, não é suficiente para garantir a sustentabilidade econômica dos negócios.
“O crédito, a assistência técnica e toda essa organização financeira não são suficientes para gerar crescimento sustentável para os pequenos empreendedores e pequenos produtores. A gente precisa não só organizar a cadeia produtiva, mas também a forma como essa produção vai ser consumida ou escoada, para que isso gere estabilidade financeira”, afirmou Lessa.
Crédito associado a conhecimento – Durante o painel, o presidente explicou que linhas voltadas à agricultura familiar e ao microcrédito produtivo orientado são trabalhadas pelo Banco em conjunto com assistência técnica. A lógica é associar o financiamento a conhecimentos de gestão, educação financeira, orientação ambiental e técnicas de produção adequadas à realidade de cada atividade.
Segundo Lessa, esse acompanhamento é especialmente relevante para produtores e empreendedores que ainda têm dificuldade de acesso aos instrumentos tradicionais do sistema financeiro. Em parte da produção ligada à floresta e às atividades extrativistas, por exemplo, a própria organização produtiva pode não se enquadrar nos modelos convencionais de crédito.
Para alcançar esse público, o Banco está estruturando um fundo de sustentabilidade voltado ao uso de instrumentos como capital catalítico e recursos de apoio à estruturação dos negócios. A proposta é contribuir para que atividades produtivas ainda pouco integradas ao sistema financeiro possam se organizar e, gradualmente, acessar os mecanismos formais de financiamento.
Da produção ao mercado – Outro ponto enfatizado por Lessa foi a necessidade de olhar além da concessão do crédito. Para o presidente, aumentar a produtividade sem criar condições para a comercialização pode deixar o pequeno produtor exposto à falta de compradores, à instabilidade de preços e à dificuldade de geração de renda.
Nesse contexto, contratos de compra de longo prazo e a aproximação entre pequenos produtores, cooperativas, associações e empresas podem ajudar a dar previsibilidade à produção e reduzir riscos ao longo da cadeia.
“Não adianta só produzir. É preciso ter para quem vender. Essa integração de toda a cadeia de valor é fundamental para levar o produto ao mercado”, afirmou.
Lessa também destacou que as instituições financeiras podem atuar como articuladoras dessas relações ao aproximar diferentes elos que já fazem parte de suas carteiras, conectando, por exemplo, empresas compradoras a pequenos produtores e fornecedores.
“Os bancos têm um papel de articulação. A gente precisa ter a sensibilidade de fazer essa conexão entre o financiamento de uma indústria e o pequeno produtor que também estamos financiando. Eu acho que a palavra articulação hoje é mais forte do que a concessão de crédito”, disse.
Tecnologia e acesso ao crédito – A ampliação da inclusão financeira também passa, segundo Lessa, pela adoção de modelos mais flexíveis de análise e pelo uso de ferramentas digitais capazes de considerar as diferentes realidades dos clientes. No microcrédito, muitos empreendedores não dispõem das garantias ou dos documentos normalmente exigidos em operações tradicionais.
Entre as alternativas mencionadas estão mecanismos de garantia coletiva, como os grupos solidários, além da atuação de parceiros que auxiliam na orientação e na chegada do crédito à ponta. Para o presidente, tecnologia, desburocratização e conhecimento sobre a realidade local precisam funcionar de forma combinada.
Na avaliação de Lessa, essa estrutura é particularmente relevante na Amazônia, onde as características territoriais e logísticas exigem diferentes formas de atendimento. A combinação entre canais digitais, presença de parceiros, assistência técnica e organização das cadeias produtivas permite adaptar o acesso ao financiamento às necessidades de produtores e empreendedores de diferentes localidades.





