domingo, julho 26, 2026
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LITERATURA – A Herdeira

Nossa! Fazia um bom tempo que eu não me aventurava a escrever uma crítica literária. Estava com saudades. Mas, vamos lá. Acabei de ler a obra de Henry James, autor norte-americano, “A Herdeira”, publicada no Brasil pela Editora Lafonte.

Quando se fala em romance, muitas vezes pensamos naqueles contos de fadas do “então viveram felizes para sempre”, o que, lógico, é uma ficção, afinal de contas, na vida real, não é bem assim que as coisas funcionam. O “felizes para sempre” fica só na magia literária.

Na vida, há momentos felizes, momentos infelizes, tribulações, sucessos, derrotas, decepções, inveja, traição. Tudo faz parte da vida, até a morte faz parte da vida, afinal, ninguém vai virar pedra.

Mas o livro “A Herdeira” trata de uma situação que seria impensada no século passado e que, até hoje, ainda é alvo de muito debate e luta: a questão feminina. Uma jovem tímida e abandonada pelo que pensava ser seu grande amor, enfrenta a tirania da família, um pai egoísta, preconceituoso, metido a sábio, uma tia intrometida, igualmente metida a sábia, mas ingênua e sonhadora, tudo em busca da felicidade.

E tem de escolher entre a felicidade ao lado da pessoa amada, a fortuna do pai que lhe desconsidera sob todos os aspectos, ouvir ou ignorar os conselhos da tia que vive às custas de seu pai…

Um turbilhão de situações com que tem de lidar com tão pouca idade, apesar de ser muito inteligente, mas desprovida de beleza exuberante e que atrai alguém não pelo que é, mas pelo que tem. E tem muito.

A obra abre o debate, abre as ideias, abre os pensamentos para se ver o quão uma pessoa pode se ver cercada por tantos percalços ao longo da vida e, assim, selar o próprio destino.

Fiquei lembrando o que me disse certa feita um colega de redação, quando comentava com ele certas situações internas e então ele me falou: “fruto de suas escolhas”. Tudo, na vida, são frutos de nossas escolhas, para nos darmos bem ou mal, mas, enfim…

Se você é o tipo do leitor que quer ver ação rapidamente, sentir emoção, não vai ter paciência para acompanhar a obra do começo ao fim, mas se você tem um pensamento crítico e quer ver onde vai parar essa odisseia, com certeza, vai ficar maravilhado. É literatura norte-americana, onde o dinheiro eleva às alturas, mas também abre espaços para muitas coisas que fogem à realidade do mundo real. São 239 páginas. Eu gostei.

Por ROBERTO BARBOSA, Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução

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