terça-feira, junho 9, 2026
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Povos Tembé e Amanayé debatem mercado de carbono e sustentabilidade no Pará

Oficina realizada no território Zawar Pinim preparou lideranças indígenas para as futuras Consultas Livres, Prévias e Informadas sobre o Sistema Jurisdicional de REDD+.

Nos dias 6 e 7 de junho, o território indígena Zawar Pinim, em Santa Maria do Pará, sediou uma importante reunião informativa sobre o Sistema Jurisdicional de REDD+ (SJREDD+). O evento reuniu representantes das aldeias Jeju e Areal (do território Zawar Pinim), da aldeia Barreirinha (Paragominas) e da aldeia Acará Mirim (Tomé-Açu).

A iniciativa promoveu um espaço essencial de diálogo e transparência entre o Governo do Estado do Pará e os povos Tembé e Amanayé, funcionando como uma etapa preparatória para as futuras Consultas Livres, Prévias e Informadas (CLPIs).

A oficina foi realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), em parceria com a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) e a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), por meio do coordenador Ronaldo Amanayé.

Construção Coletiva e Esclarecimento

Durante os dois dias de programação, os participantes debateram temas complexos e fundamentais para o futuro de suas terras:

  • Conceitos de mudanças climáticas e créditos de carbono;
  • Salvaguardas socioambientais;
  • Diferenças entre projetos privados e o modelo jurisdicional do Estado;
  • Estratégias de repartição de benefícios;
  • Proposta metodológica para as futuras consultas (CLPIs).

A atividade complementa o ciclo de oficinas que o governo vem realizando em outras etnorregionais. Desta vez, o avanço ocorreu com o interesse manifesto das comunidades da etnorregional Belém-Guamá em integrar essa etapa formativa.

Vozes da Comunidade

As lideranças locais destacaram o impacto positivo do encontro, reforçando que a informação é a maior aliada na proteção de seus territórios.

“A explicação sobre o que é o carbono foi interessante e vai nos ajudar a compartilhar essas informações com os nossos parentes. Ainda temos dúvidas, mas o que foi apresentado foi muito bem explicado. Esperamos novas oportunidades para entender o que pode trazer benefícios sem afetar nosso território.” — Rosiana Tembé, cacique da aldeia Jeju.

“As aldeias possuem realidades diferentes e esse processo de escuta e esclarecimento é fundamental para que todos possam compreender melhor o que está sendo construído.” — Aldemir da Silva Tembé, da aldeia Jeju.

Compromisso do Estado com a Governança Participativa

Representantes do governo paraense reforçaram a importância de garantir o protagonismo indígena na construção das políticas públicas climáticas.

  • Jéssica Costa (Coordenadora de Neutralidade Climática da Semas): Enfatizou que o objetivo é garantir informação clara e transparente, respeitando as especificidades de cada território e mantendo um canal permanente de escuta.
  • Renata Nobre (Secretária Adjunta de Gestão de Águas e Clima da Semas): Destacou que os povos indígenas são essenciais para a conservação da Amazônia e que o SJREDD+ exige um processo guiado pelo diálogo, boa-fé e respeito aos direitos e protocolos desses povos.

Foto: Divulgação

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