Animal foi localizado no Canal da União, no Marco, nesta terça-feira (17); especialistas se surpreenderam com a presença da espécie em área urbana.
A manhã desta terça-feira (17) foi marcada por um cenário raríssimo no bairro do Marco, em Belém. Um exemplar de boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), espécie nativa dos rios amazônicos e ameaçada de extinção, foi encontrado preso nas águas rasas do Canal da União. O animal, que se debatia em busca de uma saída, atraiu uma multidão de moradores curiosos, exigindo uma operação complexa de resgate.
Uma situação sem precedentes
O Corpo de Bombeiros foi o primeiro a chegar, isolando a área para evitar o estresse do mamífero. Para garantir a segurança do animal, foi acionado o Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).
“Essa é uma situação totalmente inusitada. Nunca tivemos ocorrências de botos em canal antes. É uma situação complexa”, afirmou a bióloga Angélica Rodrigues, integrante do Instituto BioMA. A principal suspeita dos bombeiros é que uma maré alta atípica tenha facilitado a entrada do boto no sistema de drenagem urbana, deixando-o confinado quando o nível da água baixou.
Operação Delicada e Cuidados Médicos
O resgate exigiu agilidade e precisão. Por estar em um espaço confinado e vulnerável, o boto corria riscos graves de insolação devido ao sol forte. Segundo os especialistas, em casos assim, é necessário até o uso de tendas para proteger a pele sensível do animal.
Após ser retirado do canal por uma equipe multidisciplinar de biólogos e veterinários, o boto foi encaminhado para a sede da Ufra. “Ele está com escoriações que nos preocupam, mas, aparentemente, não está tão magro”, detalhou Angélica. O objetivo agora é realizar exames clínicos detalhados para garantir que ele esteja apto a retornar ao seu habitat natural o mais rápido possível.
Sobre a Espécie
O boto-cor-de-rosa é o maior golfinho de água doce do mundo. Caracteriza-se pelo focinho longo, pescoço flexível — que permite manobras rápidas entre árvores em áreas alagadas — e a coloração que pode variar do cinza ao rosa intenso. Sua presença em um canal urbano no centro de Belém reforça o alerta sobre a proximidade entre os ecossistemas fluviais e a infraestrutura da cidade.
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