Belém amanheceu mais silenciosa com a notícia da morte de Lucidéa Batista Maiorana, conhecida como Dona Déa, aos 91 anos, figura central na história de um dos maiores grupos de comunicação da Amazônia. Discreta ao longo de toda a vida, ela exerceu influência decisiva nos bastidores das empresas que ajudaram a moldar o jornalismo no Norte do país.
Viúva do jornalista e empresário Romulo Maiorana, Dona Déa assumiu papel fundamental após a morte do marido, em 1986. Em um momento de transição delicado, tornou-se ponto de equilíbrio para a família e para os negócios, contribuindo diretamente para a continuidade do legado empresarial.
Nascida em Monte Alegre, no oeste do estado, em 10 de maio de 1934, Lucidéa teve uma infância marcada por desafios. Até os 15 anos, viveu em um orfanato administrado por freiras em Benevides. Anos depois, ao se casar com Romulo Maiorana — pernambucano de origem italiana que se estabeleceu em Belém na década de 1950 —, passou a integrar a construção de um dos mais influentes conglomerados de mídia da região.
O casal formou uma família numerosa, com sete filhos: Rômulo Maiorana Júnior, Ronaldo, Rosana, Ângela, Rosângela, Roberta e Rosemary. Ao longo das décadas, a família cresceu, alcançando já a terceira e quarta gerações.
Após a perda do marido, Dona Déa foi essencial para manter a unidade familiar e dar continuidade às empresas, hoje reunidas no Grupo Liberal. O conglomerado inclui veículos como os jornais O Liberal e Amazônia, a TV Liberal (afiliada da Rede Globo), rádios e plataformas digitais, consolidando-se como um dos principais sistemas de comunicação da região Norte.
REPERCUSSÃO E HOMENAGENS
A morte de Dona Déa gerou comoção entre empresários, jornalistas e lideranças políticas do Pará. Em notas públicas, autoridades destacaram a importância de sua atuação silenciosa, mas estratégica, para a consolidação do grupo e para o fortalecimento da comunicação regional.
Nas redes sociais, mensagens de pesar ressaltaram o papel de Dona Déa como guardiã de um legado familiar e empresarial. Profissionais da imprensa lembraram sua postura reservada, porém firme, especialmente nos momentos mais desafiadores da trajetória do grupo.
VELÓRIO E SEPULTAMENTO
Até o momento, não havia divulgação oficial sobre local de velório e horário do sepultamento. A expectativa é de que as informações sejam confirmadas pela família nas próximas horas.
LEGADO
A morte de Dona Déa encerra um capítulo importante da história empresarial e jornalística do Pará. Em um ambiente historicamente marcado por lideranças masculinas, sua trajetória se destacou pela forma singular de influência: longe dos holofotes, mas essencial na sustentação de um projeto que atravessou gerações.
Fiel ao seu estilo, despede-se com a mesma discrição que marcou sua vida. Nos bastidores de uma grande história, deixa a marca firme de quem soube conduzir, em silêncio, a continuidade de um legado coletivo.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução de Cidade 091









