O coração cultural da capital paraense foi palco de indignação e clamor por justiça na manhã deste domingo, 1º. Em frente ao Theatro da Paz, ativistas da causa animal, protetores independentes e cidadãos comuns realizaram uma manifestação pedindo punição exemplar para os responsáveis pela morte cruel do cachorro Orelha, ocorrida em Santa Catarina e que chocou o país. O animal frequentava a praia havia 10 anos e foi torturado até a morte por adolescentes com mentes criminosas, cruéis e filhos de ricos que ainda foram para os EUA.
Com cartazes, faixas e palavras de ordem, os manifestantes denunciaram a violência contra animais e cobraram respostas rápidas do sistema de Justiça. O ato em Belém reforçou que o caso ultrapassou limites geográficos e se transformou em um símbolo nacional contra a barbárie e a impunidade.
“Orelha podia estar em qualquer rua de Belém. Quando a sociedade fecha os olhos, a crueldade se repete. Não queremos discursos, queremos justiça de verdade”, afirmou uma protetora animal durante o protesto, sob aplausos.
Mobilização nacional e repercussão internacional
Além de Belém, manifestações semelhantes ocorreram em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Natal, Rio de Janeiro e outras capitais, reunindo milhares de pessoas nos últimos dias. Em muitos atos, os participantes levaram seus próprios animais, reforçando o caráter simbólico do protesto.
O caso também ganhou repercussão internacional, sendo citado em portais estrangeiros e páginas de organizações de defesa dos direitos dos animais, que passaram a cobrar do Brasil rigor na aplicação das leis de proteção animal. Nas redes sociais, a hashtag #JustiçaPorOrelha figurou entre os assuntos mais comentados, ampliando a pressão sobre as autoridades.
QUEM ERA ORELHA E O QUE ACONTECEU
Orelha era um cachorro comunitário, cuidado por moradores de uma região litorânea de Santa Catarina, conhecido por sua docilidade e convivência pacífica com a comunidade. No início de janeiro, ele foi encontrado com graves ferimentos, resultado de agressões violentas.
Levado para atendimento veterinário, Orelha não resistiu à gravidade das lesões, o que provocou revolta imediata e mobilização popular em todo o país.
COMO ESTÃO AS INVESTIGAÇÕES
A Polícia Civil de Santa Catarina conduz o inquérito e já identificou adolescentes envolvidos no crime, além de investigar a possível participação ou omissão de adultos. Entre as medidas adotadas estão:
- Cumprimento de mandados de busca e apreensão
- Apreensão de celulares e dispositivos eletrônicos
- Análise de imagens de câmeras de segurança
- Oitiva de testemunhas e familiares
O Ministério Público acompanha o caso e avalia eventuais responsabilidades de adultos por coação, omissão ou tentativa de atrapalhar as investigações.
QUAIS PUNIÇÕES PODEM SER APLICADAS AOS MENORES
Por se tratarem de menores de 18 anos, os envolvidos não respondem criminalmente como adultos, mas podem ser responsabilizados por atos infracionais, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
As medidas socioeducativas possíveis incluem:
- Advertência
- Prestação de serviços à comunidade
- Liberdade assistida
- Internação, nos casos considerados de extrema gravidade
Especialistas destacam que, embora a Lei Sansão aumente as penas para maus-tratos contra cães e gatos (até cinco anos de prisão), ela se aplica plenamente apenas a maiores de idade, o que reacende o debate sobre responsabilização e prevenção de crimes dessa natureza.
VOZES QUE EXIGEM JUSTIÇA
Durante o ato em Belém, o tom foi de revolta e cobrança direta às autoridades:
“Isso não é travessura, é crueldade. Quem faz isso com um animal indefeso pode fazer coisa pior amanhã. A sociedade não pode passar a mão na cabeça”, declarou um advogado presente à manifestação.
“Orelha morreu, mas virou um símbolo. Se esse crime ficar impune, estaremos assinando um atestado de falência moral”, disse uma estudante universitária, emocionada.
UM CASO QUE VIROU MARCO
A manifestação em frente ao Theatro da Paz deixou claro que Belém também faz parte desse grito nacional. O caso Orelha se consolida como um divisor de águas no debate sobre violência contra animais, educação, responsabilização e justiça.
A sociedade segue mobilizada. A resposta das autoridades, agora, é aguardada com atenção — e cobrança.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações de agências e portais/Imagens: Reprodução









