Pesquisa aponta que mais de 60% dos empresários do setor já percebem mudanças no comportamento dos clientes associadas ao uso de medicamentos
O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras começa a provocar mudanças que vão além da balança e já chegam às mesas dos restaurantes. Em Belém, estabelecimentos acompanham um público que continua saindo para almoçar, jantar e encontrar amigos, mas que passou a consumir porções menores e a prestar mais atenção na composição dos pratos e nas opções de bebidas.
Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 61% dos empreendedores notaram alterações no comportamento dos clientes associadas ao uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro. Segundo o levantamento, 64% dos empresários perceberam aumento nos pedidos de miniporções, e mais de 70% observaram maior frequência de escolhas consideradas mais leves.
Na capital paraense, o Engenho Cozinha Brasileira está entre os restaurantes que vêm olhando para esse novo perfil de cliente e buscando adaptar a experiência gastronômica sem transformar o cardápio em uma lista de restrições. A proposta é ampliar as possibilidades para quem passou a comer em menor quantidade, mas não quer abrir mão de sair, encontrar amigos ou compartilhar uma refeição com a família.
Para a nutricionista Laís Santana, responsável pelo acompanhamento nutricional do restaurante, a mudança exige atenção dos estabelecimentos também à forma como esse público se relaciona com a comida.
“Esse cliente quer continuar vivendo seus momentos, sair para jantar, acompanhar a família e os amigos e sentar à mesa. O que muda é a forma como ele se alimenta. A saciedade chega mais rápido e existe uma preocupação maior com a qualidade nutricional do que está sendo consumido. O restaurante precisa entender essa realidade e mostrar que é possível continuar tendo prazer na experiência gastronômica”, explica.
No Engenho, essa adaptação passa por opções já presentes no cardápio, como saladas preparadas com folhas, legumes e frutas da estação, salada de bacalhau e pratos à base de peixes amazônicos. Um dos exemplos é o Filhote Fitness, preparado com molho de maracujá e gengibre e acompanhado de legumes.
“O Filhote Fitness é um prato que traduz muito bem esse movimento. Temos um peixe amazônico, que faz parte da nossa identidade, apresentado em uma composição mais leve e com legumes. A reinvenção do cardápio não significa abandonar os sabores que o cliente procura no Engenho, mas entender que hoje existem novas formas de consumir e precisamos estar atentos a elas”, afirma Mateus Ribeiro, gerente do Engenho Cozinha Brasileira.
E toda essa transformação também chega aos copos. Entre os entrevistados ouvidos na pesquisa, 65% perceberam mudanças nos pedidos de bebidas alcoólicas e 53% identificaram crescimento na procura por opções sem álcool entre clientes que fazem uso das canetas emagrecedoras.
“Hoje existem opções como sucos, blends de frutas e os mocktails, que são drinks sem álcool preparados com frutas, água com gás e ervas. São bebidas refrescantes, saborosas e com uma apresentação bonita, que permitem a esse público continuar vivendo a experiência de sair e aproveitar o momento”, destaca a nutricionista Laís Santana.
Com a popularização das canetas emagrecedoras, os restaurantes começam a perceber que a adaptação vai além do tamanho das porções. Diante de clientes mais atentos ao que colocam no prato e no copo, o desafio dos estabelecimentos passa a ser oferecer novas escolhas sem retirar da comida aquilo que sempre levou as pessoas aos restaurantes: sabor, convivência e o prazer de compartilhar a mesa.
Serviço
Engenho Cozinha Brasileira
Unidades: Boulevard Shopping Belém (Piso 1) e Shopping Pátio Belém (Piso L2)
Funcionamento: diariamente, das 11h às 23h








