Um policial militar folgado e à paisana disparou uma arma de fogo em meio aos fiéis que acompanhavam a Trasladação do Círio de Nazaré, na noite do último sábado (10), nas proximidades da Estação das Docas, no centro de Belém. O agente foi preso em flagrante pela Polícia Civil por disparo de arma de fogo em local público e acabou liberado após o pagamento de fiança.
O incidente ocorreu em um dos trechos de maior concentração de romeiros, na altura do prédio da Companhia Docas do Pará (CDP). A Trasladação é a segunda maior procissão da festividade nazarena e antecede a grande romaria de domingo, que reúne mais de 2 milhões de pessoas nas ruas da capital paraense.
Imagens registradas por equipes de imprensa no local mostram o momento em que o militar foi detido por colegas de farda e conduzido para fora da procissão.
Versões divergentes sobre a motivação do disparo
Em depoimento à Polícia Militar, o agente alegou que estava acompanhado da família e que efetuou o tiro para reagir a uma tentativa de assalto praticada por um grupo de cerca de cinco pessoas.
Contudo, testemunhas que caminhavam perto do policial no momento da confusão contestam a versão de assalto. Segundo os relatos, o homem estava com uma criança pequena quando sacou o armamento e disparou para o alto.
“Todo mundo ouviu um barulho, mas quem estava um pouco distante achou que eram fogos. Quem estava perto viu que foi um tiro. Ele levantou a arma e atirou” relatou uma testemunha à reportagem.
Ainda segundo a testemunha, o policial justificou a atitude dizendo que a multidão estava “pressionando” e avançando sobre a sua filha, embora o fluxo de fiéis estivesse correndo normalmente na via. Logo após o disparo, o homem tentou se afastar do local, mas foi abordado por uma patrulha da PM. Ele informou que era militar, mas não apresentou a identificação funcional no momento da abordagem, sendo levado para uma área reservada na Estação das Docas.
Prisão, fiança e apuração disciplinar
Em nota oficial, a Polícia Militar do Pará informou que a Corregedoria conduziu o agente à Divisão de Crimes Funcionais (DCRIF) da Polícia Civil, onde o auto de prisão em flagrante foi lavrado.
Após passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e efetuar o pagamento da fiança arbitrada pela autoridade policial, ele foi colocado em liberdade. A arma utilizada no episódio foi apreendida.
As autoridades não divulgaram o nome do policial, o valor estipulado para a fiança e não confirmaram se houve registro de feridos durante o tumulto. A conduta do militar é objeto de inquérito administrativo na Corregedoria da PM.
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