terça-feira, julho 7, 2026
Desde 1876

Morre Benedito Ruy Barbosa, autor que eternizou o Brasil rural na teledramaturgia

O Brasil perdeu nesta terça-feira, 07, um dos maiores nomes da dramaturgia nacional. O escritor e novelista Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo, vítima de complicações decorrentes de insuficiência renal crônica. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde ele estava internado.

Reconhecido por transformar o campo brasileiro em protagonista de grandes narrativas televisivas, Benedito deixa um legado marcado por obras que atravessaram gerações e ajudaram a consolidar a identidade da teledramaturgia no país.

O velório acontece ainda nesta terça-feira, das 15h às 21h, no Funeral Home, na região da Bela Vista, na capital paulista. A cerimônia será aberta ao público no início da tarde.

Autor de clássicos como Pantanal (1990), O Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999), Benedito construiu histórias que abordam o universo rural, os conflitos pela terra, a imigração e os laços familiares. Suas tramas são lembradas pela força dos personagens, geralmente movidos por valores como trabalho, honra e perseverança.

Nascido em 1931, no município de Gália, interior de São Paulo, Benedito teve uma infância marcada por dificuldades após a morte precoce do pai. Cresceu em meio a lavouras de café e conviveu com comunidades de imigrantes italianos e japoneses — experiências que mais tarde influenciariam profundamente sua obra.

Antes de se firmar como escritor, trabalhou em diversas funções, incluindo vendedor e faxineiro, até ingressar como revisor no jornal O Estado de S. Paulo. Foi nesse período que começou a desenvolver seu talento para a escrita, culminando na criação do romance Fogo Frio, premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Sua trajetória na televisão começou em 1966, na TV Tupi, e ganhou força ao longo das décadas seguintes. Em 1971, lançou Meu Pedacinho de Chão, uma de suas primeiras novelas de grande repercussão. Já na década de 1990, revolucionou o formato ao escrever Pantanal, exibida pela TV Manchete, que inovou ao utilizar locações naturais e destacar a riqueza ambiental brasileira.

Ao longo da carreira, Benedito também abordou temas sociais relevantes, como a reforma agrária em O Rei do Gado, e a saga de imigrantes italianos em Terra Nostra. Suas obras foram revisitadas em diferentes épocas, incluindo remakes recentes assinados por seu neto, Bruno Luperi.

Em 2016, escreveu Velho Chico, uma de suas últimas novelas, que retomou temas como disputa por terra e conflitos de gerações no interior do país.

Em depoimentos, o autor costumava resumir sua fórmula de sucesso: “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”. Essa essência esteve presente em praticamente todas as suas criações.

A morte de Benedito Ruy Barbosa representa o fim de uma era na televisão brasileira, mas seu legado permanece vivo nas histórias que ajudaram a retratar o Brasil profundo — suas paisagens, sua gente e suas contradições.

Para além do entretenimento, suas novelas contribuíram para dar visibilidade ao campo e às questões agrárias, temas que dialogam diretamente com regiões como a Amazônia e o Pará, onde o debate sobre terra, produção rural e identidade cultural segue atual.

Benedito deixa familiares, admiradores e uma obra que seguirá como referência para futuras gerações da dramaturgia nacional.

Por ROBERTO BARBOSA/Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações e imagem do portal G1

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