Apresentação no primeiro dia da Fruit Attraction São Paulo 2026 reforça que preparo, estratégia e certificações são os principais caminhos para acessar o mercado internacional
A internacionalização de produtos do agronegócio brasileiro deixou de ser um objetivo distante e passou a ser uma possibilidade concreta, inclusive para micro e pequenas empresas. Esse foi o foco do painel realizado no primeiro dia da Fruit Attraction São Paulo 2026, em 25 de março, com a participação de Monnike Garcia, consultora do AgroBR, e da produtora e exportadora Camila Boni.
O encontro trouxe uma abordagem prática sobre o processo de exportação, destacando que não é necessário grande escala de produção para ingressar no mercado internacional. Segundo as especialistas, cerca de 40% das empresas exportadoras brasileiras são MEIs ou microempresas, reforçando o potencial de inclusão de pequenos negócios no comércio exterior.
Um dos principais pontos abordados foi a necessidade de preparação. Antes de pensar em vender para fora, é essencial que a empresa esteja estruturada internamente, com documentação adequada, certificações exigidas e processos organizados. No caso de alimentos, as exigências são ainda mais rigorosas, devido aos padrões de saúde e segurança, mas atualmente há mecanismos que facilitam esse caminho, como certificações automatizadas e incentivos fiscais.
A clareza no posicionamento comercial também foi destacada como diferencial competitivo. Ter um discurso de vendas bem definido — explicando origem, produção, diferenciais e impactos sociais do negócio — pode ser determinante na conquista de compradores internacionais. A adequação do produto passa ainda por ajustes na embalagem e comunicação, respeitando idioma e preferências do mercado de destino.
Outro fator decisivo é a formação do preço de exportação. As especialistas alertaram que valores praticados no mercado interno não podem ser simplesmente convertidos para moeda estrangeira. É necessário considerar custos adicionais, logística, embalagem diferenciada e exigências específicas do cliente internacional.
Certificações como orgânico, FDA, GlobalGAP e HACCP também foram apontadas como fundamentais. Em muitos mercados, compradores sequer iniciam negociações com empresas que não possuem esses selos, especialmente no segmento de frutas.
A participação em feiras internacionais foi destacada como estratégia essencial para geração de negócios. Um dos exemplos apresentados foi o caso da BRITCHIS, que encontrou na feira um ponto de virada para sua internacionalização.

“A BRITCHIS teve na Fruit Attraction um ponto de virada: a feira é essencial para conhecer clientes, gerar negócios e abrir oportunidades reais de exportação. A partir da participação, a empresa estruturou sua produção, certificou a fazenda e iniciou a exportação de lichias para o mercado internacional, conquistando já nos primeiros contatos clientes que hoje estão entre os principais. O processo evoluiu com participação contínua nas edições do Brasil e de Madrid, consolidando a atuação no exterior, sempre com o apoio de entidades como AgroBR, ApexBrasil, Abrafrutas e Sebrae, que foram fundamentais para viabilizar e fortalecer essa trajetória.” — Camila Boni, diretora comercial da BRITCHIS
Apesar do avanço, o Brasil ainda tem baixa participação no comércio internacional, com menos de 1% das empresas atuando como exportadoras. Para mudar esse cenário, iniciativas como o AgroBR, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, oferecem capacitação, consultoria e suporte estratégico às empresas interessadas. Entre os recursos disponíveis estão treinamentos, elaboração de portfólio e ferramentas de inteligência de mercado, além do apoio de escritórios internacionais em mercados estratégicos como Xangai, Bruxelas, Singapura e Dubai.
A mensagem central do painel foi clara: exportar é possível, desde que haja preparo, planejamento e acesso às ferramentas certas. Mais do que volume, o sucesso no mercado internacional depende de estratégia, adaptação e posicionamento competitivo.
Ao final, Monnike Garcia reforçou o convite às empresas interessadas em iniciar esse processo:
“Na palestra ‘Sonha em exportar? Descubra seu caminho’, quis encorajar as empresas a participarem do processo de internacionalização. É possível, independentemente do tamanho da empresa, estar inserido no mercado internacional. Convido todos os visitantes da feira a conhecer o AgroBR e aproveitar as oportunidades que o programa oferece.” — Monnike Garcia, consultora do AgroBR – São Paulo
Por Sandra Jassa









