Em depoimento, cantor admitiu ter arremessado cadeira por “emoção” após cobrança de taxa, mas negou ofensas a funcionários.
O cantor Ed Motta prestou depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira (12), na 15ª DP (Gávea), para esclarecer o tumulto ocorrido no restaurante Grado, no Jardim Botânico, no último dia 2 de maio. O episódio, que começou com uma divergência sobre a taxa de rolha, escalou para arremesso de objetos e uma denúncia grave de injúria por preconceito.
Segundo informações da CNN Brasil, o artista negou ter ofendido funcionários, mas as autoridades investigam relatos de frases xenófobas proferidas durante a discussão.
O Pivot da Confusão: A Taxa de Rolha
De acordo com o depoimento, Ed Motta — que frequenta o estabelecimento há nove anos — sentiu-se “chateado e desprestigiado” ao ser cobrado pela taxa de rolha (valor cobrado para consumir garrafas levadas pelo próprio cliente).
O cantor alegou que nunca havia sido cobrado anteriormente. O gerente, por sua vez, explicou que a taxa foi aplicada porque a mesa estava cheia e não apenas com o artista e sua esposa.
O grupo do cantor levou cerca de sete garrafas de vinho. Ao ser confrontado com a cobrança, Ed Motta admitiu ter se irritado, levantado da mesa e afirmado que “nunca mais voltaria ao local”.
Arremesso de Cadeira e Denúncia de Xenofobia
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o cantor arremessa uma cadeira no chão. Ele sustentou à polícia que agiu sob “forte emoção” e que não teve a intenção de atingir ninguém. No entanto, o desdobramento mais crítico envolve um funcionário do restaurante.
Um empregado relatou ter sido alvo de xenofobia. A frase atribuída ao cantor no material da investigação inclui termos pejorativos como “paraíba”, “retirante” e ameaças de pular o balcão.
Por conta desses relatos, Ed Motta é formalmente investigado por injúria por preconceito, crime que prevê reclusão de um a três anos.
Agressão a Outro Cliente
Além do conflito com os funcionários, a polícia apura uma briga paralela. Um frequentador de uma mesa vizinha teria sido atingido por uma garrafada e um soco durante o tumulto generalizado.
Neste caso específico de agressão física ao cliente, Ed Motta é tratado como testemunha. Ele afirmou em depoimento que só tomou conhecimento desta briga na manhã seguinte ao ocorrido.
Próximos Passos
O cantor, que não compareceu à primeira intimação por estar viajando, agora aguarda o andamento do inquérito. A Polícia Civil segue analisando as imagens e colhendo depoimentos de outras testemunhas presentes na noite do dia 2 de maio.
Até o momento, a defesa de Ed Motta não emitiu uma nota oficial detalhada sobre o depoimento, mas o espaço segue aberto para manifestações. O caso levanta discussões sobre o comportamento de figuras públicas em estabelecimentos comerciais e a gravidade de ofensas de cunho regionalista.













