Imagine uma cidade sem carros, ônibus e motocicletas. Nada de monóxido ou dióxido de carbono no ar, sem atropelamentos, acidentes e até mortes por excesso de velocidade.
Essa cidade existe, está situada no Marajó, no delta do rio Amazonas e distante duas horas de lancha de Macapá.
Nessa cidade, crianças, jovens, adultos e até idosos fazem uso da bicicleta para se locomoverem. Todos aprendem a pedalar cedo e as ruas principais têm ciclofaixas e espaços apropriados para estacionar as bikes.

Essa é Afuá, com população de mais de 40 mil pessoas, metade na cidade e a outra nas margens das ilhas do entorno, vivendo da pecuária, do extrativismo, da pesca e da captura do camarão regional.
Soma-se a isso o forte comércio local, e o turismo ecológico, que cresce a cada ano graças ao empenho do poder público e da iniciativa privada, na promoção de eventos como o tradicional Festival do Camarão, festas juninas, encontros religiosos e o turismo de aventura e cultural.
Contam que o nome da cidade deriva dos povos indígenas que ali viviam em meio a muitos botos que ao emergirem para respirar emitiam um som parecido com ”afu”. Mas nem todos adotam essa teoria.

O ex-prefeito Mazinho Salomão, de família tradicional na região, aponta o cuidado que a população tem com sua cidade que é totalmente alagada durante todo ano e a maioria das construções são em madeira. O lixo reciclável é recolhido e levado à Macapá, e o orgânico é incinerado distante da cidade porque não dá para enterrar.
O camarão, o peixe e o açaí são as principais fontes de renda da população e o único posto de combustível, um flutuante ancorado na frente da cidade, se presta a abastecer milhares de embarcações de todo tipo e tamanho que circulam diariamente pela região.

Desde o recolhimento do lixo, até ambulância e a bicitáxi, são elementos da paisagem diária da cidade em suas ruas estreitas, seus amplos espaços para lazer e contemplação e o cuidado de manter sua identidade cultural e histórica sem abrir mão do progresso e das conquistas sociais. Visite Afuá, você vai gostar.

Por Pedro Medina, especial para o Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ, reportagem e imagens






