Belém ganha, amanhã, 12, um novo espaço dedicado à valorização da cultura amazônica. O Instituto Letras que Flutuam inaugurou sua sede no bairro da Campina, reunindo moda, design e tradição ribeirinha em uma proposta que une arte, memória e geração de renda.
Criado em 2024, o instituto se destaca como o primeiro do Brasil voltado exclusivamente à cultura gráfica ribeirinha — um saber tradicional presente nas pinturas multicoloridas que ornamentam embarcações na região amazônica. A nova sede passa a funcionar como ponto de encontro entre artistas e público, além de vitrine para a produção desses mestres.
A inauguração foi marcada pelo lançamento de uma coleção que reúne camisas, cadernetas, agendas, impressos e placas pintadas à mão, desenvolvidas em parceria com artesãos do Pará. As peças trazem referências da fauna, flora e paisagens amazônicas, traduzidas em cores vibrantes, formas orgânicas e tipografias tradicionais.
Um dos diferenciais da iniciativa é o modelo de valorização direta dos artistas: toda a renda obtida com as obras dos chamados “abridores” — responsáveis pela pintura das letras nos barcos — é destinada integralmente a eles.
Durante a programação, o público pôde acompanhar demonstrações ao vivo com dois importantes representantes desse ofício: Donielson da Silva Leal, o “Kekel”, de Muaná, e Antônio Marcos Ribeiro Barata, de Vigia.

Autodidata, Kekel atua há cerca de nove anos como abridor de letras e também é pescador. Ele conta que o interesse surgiu ainda na juventude, observando as pinturas das embarcações. Já Antônio Barata, com 38 anos de experiência, aprendeu o ofício com familiares e vê na iniciativa uma oportunidade de ampliar horizontes. “A expectativa é que nosso trabalho seja reconhecido em todo o Brasil”, afirmou.
A proposta do instituto vai além da comercialização de produtos. Segundo a pesquisadora Fernanda Martins, a iniciativa busca aproximar o público urbano dos saberes tradicionais e fortalecer a economia criativa regional. “As peças encantam pela estética e pela história que carregam. Essa escrita nasceu nos barcos e continua viva nas comunidades”, destacou.
A abertura integra a programação do Circular Campina Cidade Velha, circuito que reúne cerca de 40 espaços culturais em Belém, consolidando a área como polo de difusão artística e cultural.
Serviço:
Abertura do Canto do Letras, sede do Instituto Letras que Flutuam
Data: 12 de abril
Horário: 9h às 13h
Endereço: Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Vila Prana, bairro da Campina, Belém
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Divulgação









