Renata Meins classificou comportamento da sister como “primitivo”, mas internautas e nortistas reagem: “É cultura, não falta de educação”.
O BBB 26 tornou-se palco de um embate que extrapolou as estratégias de jogo e atingiu o campo da antropologia e da imagem pessoal. A criadora de conteúdo Renata Meins, conhecida por seu trabalho com etiqueta e postura, utilizou suas redes sociais para analisar o comportamento de Marciele Albuquerque dentro da casa. A crítica, no entanto, gerou uma onda de indignação ao ignorar as origens da participante, criada em Juruti, no estado do Pará e atualmente vive no Amazonas e de etnia Munduruku.
A Crítica: “Falta de Repertório”
Em seu vídeo, Renata Meins afirmou que Marciele demonstra falta de consciência do próprio comportamento e do ambiente, chegando a descrever as atitudes da sister como “primitivas”. A especialista argumentou que não adianta investir na aparência se o comportamento é “desordenado” e contrário às regras de etiqueta tradicionais. “Refinar postura não é frescura”, defendeu Renata, sugerindo que a imagem da participante estaria sendo prejudicada pela ausência de refinamento.
A Reação da Web: “Respeite o Norte”
A resposta dos internautas foi imediata e implacável. A web não perdoou a especialista, classificando sua análise como equivocada, pobre de informação e carregada de preconceito. O ponto central da revolta é o fato de que o hábito de Marciele — como comer com as mãos — não é um erro de etiqueta, mas uma prática cultural legítima de seus ancestrais.
“Regra de etiqueta é coisa de branco europeu. A Marciele é Munduruku do interior da Amazônia. No dia que você visitar uma aldeia indígena e ver a gente comendo com as mãos, vai ter que engolir a seco, porque essa sim é a nossa etiqueta e não tem colonizador que mude isso”, disparou um internauta em um comentário que viralizou.
Cultura vs. Colonização
Moradores da região Norte e defensores da causa indígena destacaram que julgar comportamentos sem compreender o contexto diz mais sobre a falta de conhecimento de quem julga do que sobre quem é julgado. Muitos reforçaram que o Big Brother Brasil tem como proposta justamente mostrar o cotidiano real e as particularidades de cada brasileiro.
“Ela não está em um restaurante, está em uma casa, vivendo de forma natural. Antes de criticar, é importante entender que respeitar as diferenças culturais é uma questão de empatia, não apenas de educação”, pontuou outro usuário, lembrando que a “etiqueta” imposta por padrões europeus muitas vezes silencia e marginaliza a diversidade das raízes brasileiras.








