domingo, abril 5, 2026
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Bárbara Reis relata sinais ignorados por anos até descobrir lipedema; entenda condição confundida com obesidade

Em relato nas redes sociais, atriz descreveu sintomas como dor, hematomas e desproporção nas pernas; doença é crônica, não tem cura e ainda é pouco diagnosticada.

Por Redação g1

Em relato nas redes sociais, a atriz Bárbara Reis listou sinais com os quais conviveu por anos sem entender a causa. O diagnóstico só veio depois: lipedema.

Entre eles, desproporção entre tronco e pernas, sensação constante de peso, hematomas frequentes e alterações na textura da pele.

“Por muito tempo eu achei que o problema era eu”, afirmou.

A condição, que afeta principalmente mulheres, é uma doença crônica do tecido adiposo e ainda é frequentemente confundida com obesidade — o que ajuda a explicar por que muitas pacientes levam anos até receber um diagnóstico correto.

O que é lipedema

O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Diferentemente da obesidade, esse aumento não ocorre de forma generalizada pelo corpo.

“No lipedema, a paciente pode ter medidas normais no tronco e aumento significativo nas pernas. Essa gordura é diferente, causa dor e sensibilidade ao toque”, afirma o cirurgião plástico Vitor Pagotto, membro da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

Outro ponto importante é que essa gordura costuma ser resistente a dietas e exercícios, o que leva muitas mulheres a acreditarem, de forma equivocada, que o problema está relacionado a falta de esforço.

Segundo especialistas, o lipedema é uma desordem do tecido adiposo com influência genética e hormonal — e não resultado de estilo de vida.

Sinais citados pela atriz

Os sinais descritos pela atriz estão entre os mais comuns da doença.

  • Desproporção entre tronco e pernas.
  • Sensação constante de peso nas pernas.
  • Hematomas frequentes, sem causa aparente.
  • Pele com aspecto de “casca de laranja”.
  • Acúmulo de gordura que se interrompe no tornozelo (“sinal do garrote”).

A dor é considerada um dos aspectos centrais do lipedema e pode ocorrer de forma espontânea ou ao toque.

“É o que mais compromete a vida da paciente”, diz Pagotto.

Além disso, é frequente a sensação de peso nas pernas — muitas pacientes descrevem como se estivessem carregando quilos extras — e a facilidade para desenvolver hematomas, mesmo sem traumas aparentes.

Outro sinal característico é a mudança na textura da pele, que pode ganhar aspecto irregular, semelhante à chamada “casca de laranja”.

Sinal do “garrote” ajuda a diferenciar a doença

Um dos sinais clínicos mais específicos do lipedema também apareceu no relato da atriz: o chamado “sinal do garrote”.

Nesse caso, o acúmulo de gordura se interrompe na altura do tornozelo, poupando os pés — o que cria uma espécie de “degrau” entre a perna e o pé.

Esse padrão ajuda a diferenciar o lipedema de outras condições, como obesidade e linfedema, nas quais os pés costumam ser afetados.

Apesar de ter características bem definidas, o lipedema ainda é subdiagnosticado.

Hoje, não existe exame específico para confirmar a doença. O diagnóstico é clínico, baseado na história da paciente e no exame físico.

A falta de conhecimento sobre o tema (inclusive na formação médica) faz com que muitas mulheres passem anos em busca de respostas.

Não tem cura, mas tem controle

O lipedema não tem cura, mas pode ser controlado.

O tratamento é individualizado e envolve uma abordagem multidisciplinar, com estratégias como alimentação com foco anti-inflamatório, uso de compressão, fisioterapia e, em casos selecionados, cirurgia.

Aproximadamente 10% das mulheres em todo o mundo são afetadas pelo lipedema, uma condição que é significativamente mais comum no sexo feminino. No Brasil, esse número corresponde a mais de 10 milhões de pessoas — Foto: Crédito: ONG Movimento Lipedema/Conheça Lipedema

Aproximadamente 10% das mulheres em todo o mundo são afetadas pelo lipedema, uma condição que é significativamente mais comum no sexo feminino. No Brasil, esse número corresponde a mais de 10 milhões de pessoas —

“A ciência prefere falar em controle e remissão. O lipedema é crônico”, resume Pagotto.

Quando bem conduzido, o tratamento pode reduzir a dor, melhorar a mobilidade e devolver qualidade de vida às pacientes.

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