Imagens de frutos jogados fora evidenciam o drama de batedores que não conseguem repassar custos ou garantir a venda do produto final.
O açaí, símbolo máximo da cultura e da gastronomia paraense, atravessa um momento de profunda instabilidade. O que antes era a base da alimentação diária da população está se transformando, nas palavras de lideranças do setor, em um “artigo de luxo”. O cenário é marcado por uma ironia cruel: enquanto o preço dispara nas tabelas, o fruto apodrece e é descartado por falta de compradores.
O Paradoxo do Desperdício
Um vídeo que viralizou recentemente nas redes sociais, compartilhado pelo criador de conteúdo e defensor do segmento Jhoy Geraldo (Rochinha), chocou os paraenses ao mostrar o fruto sendo despejado diretamente no rio.
A explicação para o desperdício é puramente econômica:
- Preço Proibitivo: O valor cobrado pela saca do fruto está tão alto que o batedor artesanal hesita em comprar.
- Perecibilidade: Com a demora na comercialização, o fruto — que é extremamente sensível — ultrapassa o tempo ideal de processamento e torna-se impróprio para o consumo.
- Prejuízo Acumulado: Sem conseguir escoar a produção a tempo, o descarte acaba sendo a única saída, gerando perda total de matéria-prima.
O Drama nas Feiras e Pontos de Venda
O desequilíbrio afeta as duas pontas da cadeia. De um lado, o consumidor se vê obrigado a reduzir o consumo ou retirar o açaí do cardápio devido aos valores proibitivos. Do outro, o batedor artesanal luta contra margens de lucro cada vez menores e a baixa qualidade da matéria-prima que chega às feiras durante este período crítico.
Incertezas no Mercado
A atual crise levanta questionamentos urgentes sobre a formação de preços e a fiscalização do abastecimento no Estado. Lideranças do setor apontam que a alta carga de custos ao longo da cadeia produtiva está pressionando o mercado a um ponto de ruptura, onde nem quem vende consegue lucrar, nem quem compra consegue pagar.
O cenário expõe a necessidade de um olhar mais atento das autoridades para proteger o consumo interno do “ouro roxo” na terra que o produz, garantindo que o prato principal do paraense não seja substituído pelo lamento do desperdício.









