Decisão visa acelerar a recuperação de pacientes e gerar economia milionária para o sistema público.
O Ministério da Saúde oficializou a incorporação de uma nova técnica no Sistema Único de Saúde (SUS) que permite tratar, em uma única intervenção cirúrgica, o glaucoma e a catarata. A decisão, fundamentada em estudos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), visa tornar o atendimento oftalmológico mais eficiente e menos invasivo na rede pública.
Como funciona o novo procedimento
A novidade junta a remoção do cristalino opaco (tratamento da catarata) com intervenções para desobstruir as vias de drenagem ocular, reduzindo a pressão intraocular e protegendo o nervo óptico (tratamento do glaucoma).
A técnica é indicada para casos de glaucoma primário de ângulo aberto em estágios leve a moderado e traz duas abordagens cirúrgicas:
- Goniotomia Excisional: Realizada a partir de uma microincisão na córnea.
- Trabeculotomia Transluminal: Feita com o auxílio de um microcateter ou fio cirúrgico introduzido nos canais naturais de drenagem do olho.
Principais benefícios para o paciente
- Recuperação mais rápida: Por ser uma intervenção menos invasiva em comparação às cirurgias tradicionais de glaucoma, a cicatrização é acelerada.
- Redução de complicações: Menor risco de infecções ou reações pós-operatórias ao evitar duas cirurgias separadas.
- Menos colírios diários: Auxilia no controle contínuo da pressão ocular, diminuindo a dependência de medicação diária por colírios e melhorando a adesão ao tratamento.
Economia projetada de R$ 276 milhões para a saúde pública
A nova técnica substitui gradualmente procedimentos mais dispendiosos e complexos, como o implante do dispositivo iStent. Segundo estimativas apresentadas pela Conitec:
- A mudança gerará uma economia aproximada de R$ 22,4 milhões no primeiro ano de aplicação no SUS.
- Em um período de cinco anos, o acúmulo de recursos economizados para os cofres públicos pode atingir cerca de R$ 276 milhões.
Diferença entre Catarata e Glaucoma
O documento ressalta a importância da detecção precoce dessas duas condições, que figuram entre as maiores causas de perda visual no mundo:
- Catarata: Caracteriza-se pela perda de transparência do cristalino (a “lente natural” do olho), tornando a visão opaca ou embaçada. É a principal causa de cegueira reversível no planeta.
- Glaucoma: Doença crônica que afeta o nervo óptico, associada na maioria das vezes ao aumento da pressão intraocular. Causa perda progressiva e irreversível do campo de visão (visão periférica) e é a segunda maior causa de cegueira no mundo.
A nova opção de tratamento será integrada aos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para orientar os profissionais da rede pública de saúde na indicação do procedimento.
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