Especialistas explicam o que ocorre com a coluna e o cérebro durante acelerações e desacelerações repentinas.
Um passeio em atrações de ritmo acelerado pode gerar forças de aceleração e desaceleração capazes de provocar danos sérios à saúde mesmo sem um impacto direto na cabeça. O tema ganhou repercussão nacional após a jovem Julia Rimoli Bossoni, de 28 anos, perder os movimentos do lado esquerdo do corpo após andar na montanha-russa de madeira Montezum, no parque Hopi Hari. A jovem sofreu hemorragias intracranianas, traumatismo craniano grave e edema cerebral, precisando passar por cirurgias de emergência.
O que é o efeito chicote (whiplash)?
O “efeito chicote” acontece quando o pescoço é projetado de forma repentina e violenta para frente, para trás ou para os lados.
- No Cérebro: Como o cérebro fica suspenso dentro do crânio, ele é submetido a forças de rotação e deslocamento. Essa movimentação súbita pode causar concussões, edema e rupturas vasculares, dispensando a necessidade de a pessoa bater a cabeça para sofrer uma lesão grave. Em casos raros, esses movimentos podem provocar a dissecção de artérias cervicais (como carótidas e vertebrais), bloqueando o fluxo sanguíneo e levando a um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
- Na Coluna Cervical: O movimento impõe sobrecarga aos músculos, ligamentos, articulações e discos intervertebrais. Dores locais e distensões musculares são os problemas mais comuns relatados, embora traumas graves em estruturas nervosas ou na medula também possam ocorrer.
Sinais de alerta após o uso da atração
Especialistas destacam que lesões neurológicas nem sempre se manifestam de imediato e requerem socorro médico urgente caso os seguintes sintomas apareçam:
- Dor de cabeça intensa, contínua ou progressiva;
- Vômitos repetidos e náuseas;
- Perda de consciência, confusão mental ou sonolência extrema;
- Formigamento, perda de força ou paralisia em um lado do corpo;
- Alterações na fala, visão dupla ou tontura severa com perda de equilíbrio;
- Dor forte na região do pescoço (coluna cervical).
Grupos de maior vulnerabilidade
Embora complicações neurológicas graves causadas por brinquedos de parques sejam consideradas eventos raros, a suscetibilidade a traumas varia conforme o organismo. Apresentam maior vulnerabilidade:
- Pessoas com históricos de cirurgias ou lesões prévias na coluna ou pescoço;
- Crianças e idosos, devido à fragilidade da estrutura musculoesquelética;
- Indivíduos que sofreram concussões recentes ou traumatismos cranianos;
- Pessoas com condições vasculares preexistentes conhecidas.
Recomendações e investigações
Para mitigar os riscos, é essencial seguir rigorosamente as orientações dos parques, respeitando os limites de altura, idade, peso e restrições de saúde indicadas. Caso exista dúvida sobre o histórico de saúde individual, recomenda-se consultar orientação médica prévia antes de utilizar atrações com brusca variação de movimento.
O caso de Julia segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que requisitou perícias técnicas nos equipamentos e a análise dos prontuários médicos. O Hopi Hari informou que possui certificações internacionais de segurança, segue as normas vigentes e tem prestado suporte e cobertura de seguro à família da visitante.
Foto: Fantástico/Reprodução







