segunda-feira, outubro 5, 2026
Desde 1876

Morre Coronel Nunes, ex-presidente da CBF e um dos principais dirigentes do futebol paraense

Antônio Carlos Nunes de Lima morreu aos 87 anos, em Belém. Paraense de Monte Alegre, ele comandou a Federação Paraense de Futebol por quase duas décadas e chegou à presidência interina da CBF

O futebol paraense perdeu neste domingo, 13, um de seus dirigentes mais conhecidos e influentes. Trata-se de Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes. Ele morreu na madrugada, aos 87 anos, em Belém. Construiu uma trajetória de décadas no futebol do Pará e chegou ao comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), onde exerceu a presidência de forma interina em diferentes períodos.

A causa da morte não havia sido divulgada oficialmente até a publicação desta matéria. Informações divulgadas por veículos de imprensa apontam que Nunes vinha enfrentando problemas de saúde e estava internado em Belém. O jornalista Nonato Batista, de A PROVÍNCIA DO PARÁ, lembrou que, ainda neste ano, Nunes havia enfrentando problemas de saúde e estado internado no sudeste brasileiro.

O velório está marcado para este domingo, no Memorial Max Domini, em Belém. O sepultamento será realizado amanhã, segunda-feira, 14, às 11h, no Cemitério Recanto da Saudade, na capital paraense.

DO FUTEBOL PARAENSE AO COMANDO DA CBF

Nascido em 21 de novembro de 1938, em Monte Alegre, no oeste do Pará, Antônio Carlos Nunes teve uma trajetória que passou pela carreira militar, pela política e, principalmente, pelo futebol.

Oficial da reserva da Polícia Militar, chegou a exercer o cargo de prefeito de Monte Alegre. Foi, porém, no futebol que se tornou uma das figuras mais conhecidas do esporte paraense.

Torcedor declarado do Paysandu, Coronel Nunes começou a construir sua relação com o clube ainda na década de 1980, inicialmente como conselheiro. Em 1991, integrou a diretoria de futebol do Papão na campanha que terminou com a conquista do primeiro título brasileiro da Série B da história do clube.

Mais tarde, presidiu o Conselho Deliberativo do Paysandu e passou a integrar o quadro de conselheiros natos da instituição.

A ligação com o futebol estadual se tornou ainda mais forte quando Nunes assumiu a Federação Paraense de Futebol (FPF). Em diferentes períodos, permaneceu por quase duas décadas à frente da entidade, tornando-se uma das figuras de maior longevidade e influência na administração do futebol do Pará.

CHEGADA À CBF

A projeção nacional veio em dezembro de 2015, quando Coronel Nunes foi eleito vice-presidente da CBF. A partir daí, acabou chegando à presidência da entidade em um dos períodos mais conturbados da história recente do futebol brasileiro.

Em 2016, assumiu interinamente o comando da confederação. Em dezembro de 2017, voltou à presidência depois que Marco Polo Del Nero foi suspenso pela Fifa. Nunes, então o vice-presidente mais velho em exercício, assumiu o cargo conforme as regras internas da entidade.

Ele permaneceu no comando da CBF até 2019, quando Rogério Caboclo assumiu a presidência após ser eleito para o cargo.

Em 2021, Coronel Nunes voltou a ocupar interinamente a presidência da CBF, desta vez durante o afastamento de Caboclo. Assim, sua passagem pela principal entidade do futebol brasileiro ocorreu em diferentes momentos entre 2016 e 2021.

Um paraense no centro do futebol brasileiro

A presença de Coronel Nunes no comando da CBF teve um significado especial para o futebol do Pará. Durante décadas, ele havia construído sua carreira essencialmente dentro do futebol estadual e passou a representar o Norte na estrutura de poder da entidade nacional.

Sua chegada à presidência também chamou atenção por ocorrer em um período de grande turbulência administrativa na CBF, marcado por afastamentos, disputas internas e investigações envolvendo dirigentes.

Durante sua gestão, Nunes acompanhou momentos importantes da Seleção Brasileira e esteve à frente da entidade durante a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

O voto no Marrocos que ganhou repercussão mundial

Um dos episódios mais lembrados de sua passagem pela presidência da CBF ocorreu justamente em 2018, durante a votação que escolheu a sede da Copa do Mundo de 2026.

Os países da Conmebol haviam articulado apoio à candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá. Coronel Nunes, porém, votou no Marrocos, tornando-se o único representante da Conmebol a não apoiar a candidatura norte-americana.

O voto provocou críticas e repercussão internacional. Nunes justificou a decisão dizendo que considerava importante dar ao país africano a oportunidade de sediar pela primeira vez uma Copa do Mundo. A candidatura de Estados Unidos, México e Canadá acabou vencendo a votação.

Relação com o Paysandu nunca ficou escondida

Mesmo ocupando uma posição de destaque na estrutura nacional do futebol, Coronel Nunes nunca escondeu sua ligação com o Paysandu.

Durante sua passagem pela CBF, chegou a ser questionado justamente pela forma aberta como demonstrava seu carinho pelo clube paraense. Em entrevistas, costumava lembrar a conquista da Série B de 1991 e falar sobre jogadores e profissionais ligados ao Papão.

Em 2018, ao comentar sua trajetória, relembrou a conquista nacional de 1991 e afirmou ter participado diretamente da campanha como diretor de futebol.

A relação permaneceu até os últimos anos de sua vida. Após a notícia da morte, o Paysandu divulgou uma mensagem de pesar e destacou a participação de Nunes na conquista do título brasileiro de 1991.

O clube também solicitou à CBF a realização de um minuto de silêncio antes da partida contra a Ferroviária, pela Série C do Campeonato Brasileiro, marcada para este domingo.

CBF LAMENTA MORTE

A Confederação Brasileira de Futebol também se manifestou neste domingo.

Em nota, o atual presidente da entidade, Samir Xaud, destacou a contribuição de Coronel Nunes para o futebol paraense e brasileiro.

“A CBF lamenta o falecimento do coronel Nunes, com uma história pautada pelo fortalecimento do futebol no seu Estado, Pará, e no Brasil. Neste momento de profunda dor e tristeza, manifestamos nossos sentimentos aos seus familiares e amigos.”

A manifestação reconhece o papel exercido por Nunes durante décadas na administração do futebol estadual e nacional.

Uma trajetória que atravessou gerações do futebol paraense

A história de Coronel Nunes se confunde com parte importante da administração do futebol do Pará nas últimas décadas.

À frente da Federação Paraense de Futebol, acompanhou diferentes gerações de clubes, dirigentes e jogadores. No Paysandu, participou de uma das conquistas mais importantes da história do clube. Na CBF, tornou-se um dos poucos dirigentes paraenses a chegar ao comando da principal entidade do futebol brasileiro.

Sua trajetória também foi marcada pela personalidade forte e pela defesa do espaço do futebol paraense no cenário nacional.

Com sua morte, aos 87 anos, o Pará perde um dirigente que passou décadas nos bastidores do esporte e que, por alguns anos, levou o nome do Estado para o centro das decisões do futebol brasileiro.

Antônio Carlos Nunes de Lima deixa uma trajetória que começou nos clubes e na Federação Paraense de Futebol, passou pela direção do Paysandu e chegou à presidência da CBF.

NOTA DO PAYSANDU

O Paysandu Sport Club lamenta profundamente o falecimento de Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, que foi dirigente bicolor e presidiu a Federação Paraense de Futebol (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A trajetória de Coronel Nunes no Paysandu iniciou na década de 80, quando entrou para o clube como conselheiro. Em 1991, na conquista do primeiro título brasileiro da Série B, foi diretor de futebol bicolor. Posteriormente, presidiu o Conselho Deliberativo e entrou para o quadro de conselheiros natos.

A Presidência do clube solicitou à CBF que seja respeitado um minuto de silêncio em sua homenagem póstuma antes da partida contra a Ferroviária-SP, na tarde deste domingo (13), na Arena Fonte Luminosa, pela segunda rodada do quadrangular do Campeonato Brasileiro da Série C.

O Paysandu Sport Club se solidariza com familiares e amigos de Antônio Carlos Nunes de Lima neste momento de tristeza.

NOTA DO REMO

O Clube do Remo manifesta, com profundo pesar, o falecimento do Coronel Antônio Carlos Nunes de Lima.

Coronel Nunes, como era conhecido, dedicou grande parte de sua vida ao desenvolvimento do futebol estadual, presidindo por muitos anos a Federação Paraense de Futebol (FPF) por quase 20 anos. Trabalho que o levou até a Confederação Brasileira de Futebol onde se tornou presidente e comandou a entidade entre os anos de 2017 a 2019.

Neste momento de dor, o Clube do Remo, por meio do seu Presidente, diretoria, conselho deliberativo, atletas e colaboradores, se solidariza com os familiares, amigos e com toda a comunidade esportiva paraense, rogando a Deus que conforte a todos.

O velório está acontecendo na capela Max Domini, na avenida José Bonifácio. O sepultamento será nesta segunda-feira, 14, às 11h, no cemitério Recanto da Saudade.

Por ROBERTO BARBOSA, Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução

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