Substância encontrada em Tabuleiro do Norte passará por perícia técnica para confirmar se o estado possui uma nova jazida terrestre.
O que deveria ser a solução para a sede do gado no Sítio Santo Estevão, zona rural de Tabuleiro do Norte (CE), tornou-se um mistério geológico e econômico. O agricultor Sidrônio Moreira encontrou uma substância escura e viscosa, com forte odor de óleo, enquanto perfurava um poço de 40 metros de profundidade. O caso, ocorrido originalmente no final de 2024, ganhou um novo capítulo com a abertura de um procedimento administrativo pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A Descoberta: Do Sonho da Água à Surpresa do Óleo
Em novembro de 2024, um vídeo gravado pela família registrou o momento em que o líquido emergiu da perfuração. Inicialmente, houve comemoração: Sidrônio acreditava ter encontrado água. No entanto, o fluxo parou e, semanas depois, ao mexerem novamente no poço, os filhos do agricultor perceberam que o material não era potável, mas sim um hidrocarboneto.
“Meu pai até comemora no vídeo porque pensava que era água. Acabou que, depois que o perfurador parou, não saiu nada [de água]”, relatou Saullo Moreira, filho do agricultor.
Evidências Científicas e Localização Estratégica
A amostra foi levada ao Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Limoeiro do Norte, que contou com o apoio da Ufersa (Mossoró-RN) para realizar testes físico-químicos. Os resultados foram impressionantes: o líquido possui densidade e viscosidade praticamente idênticas ao petróleo extraído na Bacia Potiguar, região vizinha que já é um polo de exploração terrestre e marítima entre o RN e o CE.
Embora Tabuleiro do Norte não esteja atualmente em nenhum “bloco” de exploração oficial, a propriedade de Sidrônio fica a apenas 11 quilômetros da área de extração mais próxima, o que reforça a tese de que a jazida potiguar pode se estender pelo subsolo cearense.
O Papel da ANP e os Próximos Passos
Apesar das evidências levantadas pelo IFCE, a confirmação legal depende exclusivamente da ANP. Após meses de silêncio, a agência manifestou-se em 25 de fevereiro de 2026, informando a abertura de um processo para apurar o caso e a notificação de órgãos ambientais.
A confirmação de que existe petróleo, contudo, não garante a exploração imediata. Segundo o engenheiro químico Adriano Lima (IFCE), o processo pode levar anos e depende de:
- Qualidade do óleo: Se o refino é viável.
- Volume da jazida: Se a quantidade justifica o investimento bilionário.
- Logística: Se o custo de extração no semiárido compensa o retorno financeiro.
O Dilema da Família: Sem Água e com Dívidas
Enquanto aguarda a definição sobre o “ouro negro”, a família Moreira vive uma realidade difícil. O dinheiro economizado e um empréstimo feito para furar os poços foram gastos sem que a água fosse encontrada. Hoje, eles dependem de carros-pipa para manter a propriedade.
Além da questão financeira, há o risco ambiental: o poço de petróleo precisa ser devidamente isolado para evitar a contaminação do lençol freático da região. Para Saullo, a esperança é que a descoberta traga uma renda extra que permita, finalmente, comprar a água que o solo negou. “O que a gente queria era água. Hoje, queria que, se fosse petróleo, se resolvesse logo para ele [meu pai] ter esse recurso”, conclui.
Raio-X da Descoberta
| Informação | Detalhe |
| Local | Sítio Santo Estevão, Tabuleiro do Norte (CE) |
| Profundidade | Aproximadamente 40 metros |
| Análise Preliminar | Hidrocarboneto similar ao da Bacia Potiguar (IFCE/Ufersa) |
| Status Oficial | Em apuração pela ANP (Procedimento aberto em Fev/2026) |








