sábado, outubro 3, 2026
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Segundos que definem uma vida: o impacto do capacete no cérebro

Muito além de evitar multas, o ajuste correto do equipamento decide o futuro neurológico do motociclista.

A partir do artigo escrito pelo neurocirurgião Dr. Cesar Cimonari de Almeida e publicado pela CNN Brasil durante a Semana Nacional de Trânsito, os pontos essenciais que explicam por que o capacete atua como um protetor direto para a sobrevivência e a preservação do cérebro em acidentes de moto foram sintetizados.

Acidente de moto: como o capacete define o futuro do cérebro

Os acidentes de trânsito representam uma das principais rotinas nos serviços de emergência brasileiros, sendo o Traumatismo Cranioencefálico (TCE) uma das suas sequelas mais graves. Entre 2011 e 2021, o número de internações de motociclistas por lesões no trânsito no Brasil aumentou cerca de 55%, alcançando mais de 115 mil casos anuais e representando 61% das internações registradas por traumas no trânsito.

O que ocorre com o cérebro durante o impacto?

O TCE é provocado por uma força externa aplicada sobre o cérebro. Não é necessária a ocorrência de uma fratura no crânio ou uma ferida aberta para que haja dano:

  • Mecanismo de desaceleração: O movimento brusco de parada faz com que o cérebro se desloque e se choque contra a parede interna do crânio.
  • Variedade de lesões: As consequências vão desde concussões leves até contusões, hematomas intracranianos, edema cerebral e lesão axonal difusa.
  • Evolução silenciosa: Nem toda lesão dá sinais imediatos. O motociclista pode estar consciente após o impacto e, horas depois, apresentar declínio neurológico devido a sangramentos internos.

Sinais de alerta pós-trauma: Sintomas como perda de consciência, confusão mental, sonolência excessiva, vômitos repetidos, convulsões, dor de cabeça intensa ou fraqueza nos membros exigem atendimento médico imediato.

A função do capacete na proteção cerebral

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o trauma na cabeça como a principal causa de morte entre motociclistas. A utilização de um capacete adequado reduz em até 74% o risco de lesões cerebrais e diminui em mais de seis vezes o risco de morte.

O equipamento atua absorvendo e distribuindo a energia gerada pelo impacto, atenuando a força transferida diretamente ao crânio. No entanto, seu funcionamento depende de três fatores essenciais:

  1. Qualidade e homologação: O capacete deve atender aos padrões de segurança estabelecidos.
  2. Tamanho correto: Ajuste adequado à cabeça do motociclista.
  3. Afivelamento adequado: Capacetes frouxos ou desatados tendem a se soltar durante a queda, anulando a proteção no momento exato da colisão.

As sequelas neurológicas além do risco de morte

Embora a prevenção da mortalidade seja a principal meta de segurança, o traumatismo cerebral carrega também o risco de incapacidades permanentes. Um TCE grave pode afetar.

  • Funções cognitivas (memória, atenção, raciocínio e linguagem).
  • Capacidades motoras e de equilíbrio.
  • Controle comportamental e de personalidade.

O uso do capacete não substitui a prudência e o respeito às normas de trânsito. Contudo, quando a queda ocorre, ele é a única barreira física entre a força do impacto e o cérebro.

Foto: A Província do Pará

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