Muito além de evitar multas, o ajuste correto do equipamento decide o futuro neurológico do motociclista.
A partir do artigo escrito pelo neurocirurgião Dr. Cesar Cimonari de Almeida e publicado pela CNN Brasil durante a Semana Nacional de Trânsito, os pontos essenciais que explicam por que o capacete atua como um protetor direto para a sobrevivência e a preservação do cérebro em acidentes de moto foram sintetizados.
Acidente de moto: como o capacete define o futuro do cérebro
Os acidentes de trânsito representam uma das principais rotinas nos serviços de emergência brasileiros, sendo o Traumatismo Cranioencefálico (TCE) uma das suas sequelas mais graves. Entre 2011 e 2021, o número de internações de motociclistas por lesões no trânsito no Brasil aumentou cerca de 55%, alcançando mais de 115 mil casos anuais e representando 61% das internações registradas por traumas no trânsito.
O que ocorre com o cérebro durante o impacto?
O TCE é provocado por uma força externa aplicada sobre o cérebro. Não é necessária a ocorrência de uma fratura no crânio ou uma ferida aberta para que haja dano:
- Mecanismo de desaceleração: O movimento brusco de parada faz com que o cérebro se desloque e se choque contra a parede interna do crânio.
- Variedade de lesões: As consequências vão desde concussões leves até contusões, hematomas intracranianos, edema cerebral e lesão axonal difusa.
- Evolução silenciosa: Nem toda lesão dá sinais imediatos. O motociclista pode estar consciente após o impacto e, horas depois, apresentar declínio neurológico devido a sangramentos internos.
Sinais de alerta pós-trauma: Sintomas como perda de consciência, confusão mental, sonolência excessiva, vômitos repetidos, convulsões, dor de cabeça intensa ou fraqueza nos membros exigem atendimento médico imediato.
A função do capacete na proteção cerebral
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o trauma na cabeça como a principal causa de morte entre motociclistas. A utilização de um capacete adequado reduz em até 74% o risco de lesões cerebrais e diminui em mais de seis vezes o risco de morte.
O equipamento atua absorvendo e distribuindo a energia gerada pelo impacto, atenuando a força transferida diretamente ao crânio. No entanto, seu funcionamento depende de três fatores essenciais:
- Qualidade e homologação: O capacete deve atender aos padrões de segurança estabelecidos.
- Tamanho correto: Ajuste adequado à cabeça do motociclista.
- Afivelamento adequado: Capacetes frouxos ou desatados tendem a se soltar durante a queda, anulando a proteção no momento exato da colisão.
As sequelas neurológicas além do risco de morte
Embora a prevenção da mortalidade seja a principal meta de segurança, o traumatismo cerebral carrega também o risco de incapacidades permanentes. Um TCE grave pode afetar.
- Funções cognitivas (memória, atenção, raciocínio e linguagem).
- Capacidades motoras e de equilíbrio.
- Controle comportamental e de personalidade.
O uso do capacete não substitui a prudência e o respeito às normas de trânsito. Contudo, quando a queda ocorre, ele é a única barreira física entre a força do impacto e o cérebro.
Foto: A Província do Pará







