NO MÊS EM QUE SE CELEBRA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER, ENCONTROS TERAPÊUTICOS DO PROJETO DIGNIDADE PARA A INFÂNCIA FORTALECEM A ESCUTA, O CUIDADO E A RECONSTRUÇÃO DE TRAJETÓRIAS MARCADAS PELA VIOLÊNCIA E PELA FALTA DE MORADIA
No Brasil, o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, convida a sociedade a refletir não apenas sobre conquistas, mas também sobre as desigualdades que ainda marcam profundamente a vida de milhares de brasileiras. Entre elas estão mulheres em situação de vulnerabilidade social, muitas vezes atravessadas pela violência, pela ausência de moradia e pela falta de políticas públicas efetivas de proteção. Dados recentes apontam que o país contabilizou, até o final de 2025, cerca de 365.822 pessoas em situação de rua, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, revelando um cenário que exige atenção urgente e ações concretas.
Para muitas mulheres, a rua surge como um último refúgio após experiências de violência doméstica e familiar. A trajetória até esse contexto costuma ser marcada por agressões físicas, psicológicas e emocionais. No Brasil, a violência doméstica contra mulheres é três vezes mais registrada do que contra homens, e os números de feminicídio continuam alarmantes. Somente em 2025 foram registrados 1.470 feminicídios, o equivalente a uma média de quatro mortes por dia. Somando casos consumados e tentativas, o total de vítimas chegou a 6.904 no mesmo período. A realidade nas ruas também expõe essas mulheres a riscos extremos. Dados do Ministério da Justiça indicam que, em 2024, o país registrou nove vítimas de estupro por hora, revelando a dimensão da vulnerabilidade enfrentada diariamente.
Diante desse cenário, iniciativas de acolhimento e escuta tornam-se fundamentais para reconstruir trajetórias marcadas pela violência e pela exclusão. Em Fortaleza, a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, por meio do Projeto Dignidade para a Infância, tem promovido encontros de grupos terapêuticos e grupos focais voltados para mulheres em situação de vulnerabilidade. Os encontros criam espaços seguros de diálogo, onde histórias podem ser compartilhadas, experiências são acolhidas e novas perspectivas de vida começam a ser construídas coletivamente.
Além de fortalecer vínculos e promover o cuidado emocional, os encontros também possibilitam compreender melhor as realidades vividas por essas mulheres, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de proteção e autonomia. Muitas participantes relatam que, pela primeira vez, encontram um ambiente onde são ouvidas sem julgamentos, reconhecidas em sua dignidade e incentivadas a retomar seus projetos de vida.
“A vulnerabilidade social não pode ser compreendida apenas como uma condição individual, mas como resultado de fatores sociais, históricos e econômicos que atravessam a vida das comunidades. Nesse contexto, o grupo terapêutico se torna um espaço fundamental de cuidado em saúde mental, pois permite que mulheres compartilhem suas vivências, reconheçam seus sentimentos e fortaleçam redes de apoio. Esse processo contribui para o desenvolvimento da autonomia, para a ampliação da consciência sobre direitos e para o fortalecimento emocional diante das adversidades”, explica Karla Geovana Mota, psicóloga da Associação O Pequeno Nazareno (OPN).
Outro fator que evidencia a urgência desse debate é o recorte racial presente na população em situação de rua. A maioria das pessoas que vivem nessa condição é negra, reflexo de desigualdades históricas relacionadas ao acesso à moradia, trabalho e oportunidades. Somado a isso, estudos apontam que cerca de 88% das mulheres já sofreram algum tipo de violência psicológica, e muitas acabam desistindo de denunciar por medo, vergonha ou experiências negativas em atendimentos institucionais.
Diante desse cenário, o Dia Internacional da Mulher reforça que a luta por igualdade passa, necessariamente, pela garantia de direitos básicos como moradia, proteção e acesso a serviços de qualidade. Iniciativas como as desenvolvidas pela Associação O Pequeno Nazareno mostram que, mesmo diante de desafios profundos, é possível construir caminhos de cuidado, escuta e esperança para mulheres que enfrentam múltiplas vulnerabilidades.
Mais do que uma data simbólica, o 8 de março se torna um chamado coletivo para que políticas públicas e ações da sociedade civil avancem na promoção da dignidade, da segurança e do respeito para todas as mulheres, especialmente aquelas que enfrentam diariamente a violência, a invisibilidade social e a luta pela sobrevivência.

O Projeto Dignidade para a infância
O Projeto Dignidade para a Infância é uma realização da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental
Sobre a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno
Fundada em 1993 por Bernardo Rosemeyer, a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, reconhecida nacionalmente por sua atuação no atendimento integral a crianças e adolescentes em situação de rua, além de suas famílias e comunidades em contexto de deslocamento interno no Norte e Nordeste do Brasil. A instituição desenvolve ações voltadas à promoção da dignidade, da justiça social e da inclusão, enfrentando preconceitos e contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas. Atualmente, mantém atuação nos estados do Ceará, Pará, Amazonas, Amapá, Rio Grande do Norte e Maranhão, com presença institucional e articulação com empresas parceiras em cidades como Fortaleza, São Gonçalo do Amarante, Paracuru e Maranguape; Belém; Manaus, Carauari e Coari; Oiapoque; Guamaré e Areia Branca; além de São Luís. Em Fortaleza, a associação conta com duas unidades de atendimento localizadas no Centro, na Rua Senador Alencar, e no bairro Vicente Pinzon, ampliando o alcance das ações voltadas à proteção e garantia de direitos de crianças, adolescentes e suas famílias.
Por Carlos Elias/AD2M Comunicação








